Renato Aragão completa 80 anos sem pensar em aposentadoria

'Não me sinto um senhor', dispara o humorista que acaba de estrear espetáculo 'Os Saltimbancos Trapalhões'

Por O Dia

Humorista Renato Aragão na pele do personagem DidiDivulgação

Rio - ‘Não me sinto um senhor de 80 anos.” É com essa frase que Renato Aragão, o aniversariante de amanhã, espanta o peso de completar oito décadas de vida e dá de ombros para o passar do tempo. “É muito chão, muita experiência adquirida, mas não é assustador. Não sou um menino, mas estou aqui para o que der e vier.” O fôlego de quem insiste em não apagar o seu lado criança será celebrado com festa na antiga residência do humorista, no Recreio dos Bandeirantes.

“Vai ser uma coisa só para a minha família, meus filhos, netos, bisnetos e agregados. Me botaram na fogueira, dizendo que eu ia dar uma festa para 400 pessoas. Não sou de oba-oba, mas acharam que eu tinha que fazer uma festinha para comemorar os meus 80 anos, então aceitei”, comenta o intérprete do Didi.

O espírito aberto para conhecer o novo foi provado também no ano passado, quando Renato aceitou o desafio de fazer teatro pela primeira vez, no musical ‘Os Saltimbancos Trapalhões’, que está em cartaz na Cidade das Artes. “Jamais imaginei fazer teatro, porque achava uma escravidão muito grande trabalhar todos os fins de semana. Mas, quando vi, estava envolvido nesse projeto grandioso do Charles Möeller e do Cláudio Botelho. Teatro é olho no olho, tem um contato muito próximo com o público, você não pode errar. Tudo isso me deu uma alegria diferente, foi uma grande descoberta. Me sinto um estreante”, confidencia. 

"E, se o futuro reservar outras histórias, certamente elas serão bem-vindas. “Tenho muito gás. Só sei que não quero me acomodar, ainda vou fazer muita coisa”, torce. Mas que ninguém convide o eterno trapalhão para aderir à moda da comédia stand-up. “Meu Deus do céu, isso eu não sei fazer. Meu tipo de trabalho tem historinha, aventura. O Didi se movimenta diante das situações que se apresentam”, observa.

Para chegar, quem sabe, aos 100 com a mesma vitalidade dos 80, Renato faz a sua parte. “Não tem segredo, o negócio é trocar os comprimidos pelo tênis. Pelo menos quatro vezes por semana, caminho uma hora na esteira e faço hidroginástica. Também não como frituras nem doces”, afirma. Ainda assim, em março do ano passado, o humorista sofreu um enfarte. “Eu nunca pensei que fosse ter um problema no coração. Fui pego pelo colesterol, então agora me preocupo em controlá-lo. Mas me sinto bem, feliz, com muita disposição. Tenho a impressão de que ainda vai demorar um pouquinho para eu parar, me acomodar. Na minha cabeça, tenho a idade do Didi, 55 anos”, calcula.

O personagem que consagrou Renato também não tem planos de aposentadoria. “Este ano, tenho dois projetos para fazer na Globo, um telefilme e uma microssérie que deve ser exibida na semana do Dia das Crianças”, adianta. Ter novamente um programa semanal, no entanto, está fora de cogitação. “Só voltaria a fazer um semanal se fosse uma imposição da Globo, mas eles não vão fazer isso comigo, temos uma ótima relação. O teatro, embora seja um prazer, tem um estresse grande, então preciso de um pouco de tempo livre”, explica o comediante, que acaba de renovar o seu contrato com a emissora até 2017.

E, como se fosse ontem, Renato recorda como tudo começou. “Estava no Ceará, cursando o quinto período de Direito, quando o Oscarito me levou para o bom caminho. O Direito também é um bom caminho, mas não era para mim. Foi assistindo aos filmes do Oscarito que descobri minha verdadeira vocação. Graças a Deus, pude agradecer ao Oscarito ainda vivo o impulso que ele deu à minha vida.” 

POLÊMICA NAS REDES SOCIAIS

A recente entrevista que Renato Aragão concedeu à revista ‘Playboy’ repercutiu mal nas redes sociais. Tudo porque o humorista declarou que, na época em que fazia o programa ‘Os Trapalhões’, negros e gays não se incomodavam em ser alvo das piadas do grupo. Polêmica instaurada, o comediante se defende. “Quando eu chamava o Mussum de negão e ele dizia que negão era o meu passado, isso era uma brincadeira. A gente não ofendia ninguém. Não existia um escracho, maldade. Hoje, tem gente que pega pesado. Nós sempre respeitamos negros, gays, nordestinos, enfim, todo ser humano. E eu acho que todo mundo tem que respeitar o próximo.”

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