Aos 52 anos, Paula Toller está em forma para se soltar ao som de seu novo CD

Cantora diz que 'é uma atleta' e que gosta de manter a forma física, mas também conta com a ajuda da genética

Por O Dia

Paula Toller trasnsbordando felicidade%3B abaixo%2C em estúdio com Hélio Flanders e Liminha%3B à dir.%2C abaixo%2C o rapper RenegadoFlávio Colker / Divulgação

Rio - Foi feito para dançar. “Mas não só isso, tem uma mensagem no meio”, ressalta Paula Toller, sobre seu novo CD solo, ‘Transbordada’. “O disco está bem dançante e, claro, é possível ouvir sem pensar em nada, mas eu gosto que as pessoas se liguem no que está sendo cantado, nas letras”.

Neste novo lançamento, batidas eletrônicas, barulhinhos e até levadas funk emolduram suas mensagens sobre conquistas das mulheres (em ‘Já Chegou a Hora’), separação (‘O Sol Desaparece’), gente que fala demais (‘Seu Nome é Blá’) e até uma que fala de si mesma (a faixa título, que traz a frase “Minha história já não cabe mais em mim”).

“Atuando solo, sem o Kid Abelha (grupo que integra há mais de três décadas), me sinto à vontade para ser mais confessional”, compara. “Apesar de que no Kid eu também forço uma barra para emplacar o meu discurso. Acontece que no meu disco tem mais espaço para experimentar, porque no grupo já existe uma coisa codificada na cabeça do público, não dá para fugir muito”.

É, ela declara estar mesmo transbordando felicidade com o novo voo solo, terceiro sem os parceiros de longa data da banda George Israel e Bruno Fortunato. “Mas o Kid Abelha não acabou, não!”, garante ela. “A gente agora só vai ter um ritmo mais de projetos, de coisas especiais, como foi a recente turnê comemorativa pelos 30 anos de carreira. Mas, calma, não vamos fazer os fãs esperarem até uma nova turnê de 40 anos. Na verdade, a gente ainda não sentou para conversar sobre o futuro.”

Paula Toller pode até sair por um tempo do Kid Abelha, mas o Kid Abelha não sai dela. No repertório da turnê ‘Transbordada’, que vai rodar o país depois do Carnaval, vão estar vários clássicos do grupo. “Estou colocando sete músicas do disco junto de sucessos bastante conhecidos, para contrabalançar, mas com novos arranjos, feitos por mim e pelo Liminha (produtor do CD, e também dos quatro primeiros discos do Kid, que reencontra a cantora depois de um tempo sem trabalharem juntos), para dar um peso maior e ficar no clima do som do disco”, descreve.

Entre as composições mais conhecidas que Paula Toller já fez, destaque especial para ‘Nada Por Mim’, parceria com Herbert Vianna que se tornou um grande clássico da canção romântica brasileira, visto que foi gravada por Marina Lima, Sorriso Maroto, Nelson Gonçalves, Emílio Santiago, Fábio Jr., Raça Negra, Cauby Peixoto, Fafá de Belém — a lista é grande. Paula se enche de orgulho para falar dela: “Cada vez me surpreende mais, o pessoal do pagode de outras praias, todo mundo gravou mesmo!”, alegra-se. “Eu nem acredito, acho isso muito chique, fico muito feliz, porque me faz sentir de fato inserida dentro desse panorama da MPB. Não tenho as estatísticas em mãos, mas deve ser a minha canção que mais foi gravada, pela quantidade de gente. Mas, confesso, quando o Nelson Gonçalves gravou, falei para mim mesma: ‘Agora não preciso de mais nada’.”

Aos 52 anos, prestes a sair em uma baita turnê nacional, Paula Toller tem que ter fôlego. Sempre sorrindo, ela jura que não se importa de responder pela milésima vez a pergunta mais frequente em entrevistas: caramba, você não envelhece mesmo, não é? “Eu sou uma atleta mesmo!”, gaba-se, às gargalhadas. “Gosto de manter a forma física, não sou largada, mas também dei sorte com a genética. É de família!”

Renegado é renegado do CD

Era para o CD ‘Transbordada’ trazer duas participações especiais, mas apenas uma ficou registrada no produto final. Hélio Flanders, vocalista do grupo mato-grossense de rock Vanguart, faz dueto com Paula Toller em ‘Será Que Eu Vou Me Arrepender?’.

O outro convidado seria o rapper mineiro Flávio Renegado. Porém, a música ‘Já Chegou a Hora’ foi inserida no disco sem a sua anunciada participação. “Aconteceu um problema técnico, a gente tinha que mandar fabricar o disco e a (gravadora) Som Livre pressionou, dizendo que não podia refazer”, diz Paula.

Por mais que a versão oficial ateste que não foi nada de mais, fala-se nos bastidores que houve indisposição do rapper com Liminha, que passaria por divergências sobre posicionamento político e questões financeiras. “A Paula é uma querida, adoro o trabalho dela. Tá tudo certo, não foi dessa vez, mas a gente ainda vai consolidar essa parceria”, resigna-se Renegado.

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