Ricardo Cota: Brasil sem lei

Em Nome da Lei’, de Sérgio Rezende, que estreia na próxima semana, é mais um filme a revirar as entranhas do Brasil contemporâneo

Por O Dia

Rio - ‘Em Nome da Lei’, de Sérgio Rezende, que estreia na próxima semana, é mais um filme a revirar as entranhas do Brasil contemporâneo. Junto com outros filmes brasileiros recentes, elabora um mosaico das preocupações que pautam a parte mais reflexiva do cinema nacional.

São muitos os filmes na lista, dentre os quais podemos destacar ‘Casagrande’ e ‘Que Horas Ela Volta?’, ambos centrados, ainda que com abordagens distintas, na crise moral e econômica da classe média alta diante da falência financeira e do conflito de classe social.

'Em Nome da Lei’, porém, estabelece uma dobradinha mais forte com outro filme recente, ‘O Fim e os Meios’, de Murilo Salles, em que os bastidores das negociatas e do marketing político são vasculhados pelo olhar inquisidor mas nada moralista do diretor.

No filme de Sérgio Rezende, a pauta não é a relação conflituosa entre poder e meios de comunicação. No centro da trama, o que está em questão é o papel da Justiça, desafiado em suas várias instâncias pela corrupção.

Mateus Solano é Vítor, um jovem juiz que chega a uma cidade na fronteira com o Paraguai e decide, de forma corajosa, enfrentar Gomez (Chico Diaz), chefe do tráfico local. Ao seu lado terá a procuradora Alice (Paolla Oliveira), que se dividirá entre o encanto pelo despojamento de Vítor e o temor da violência, e da influência, de Gomez.

Inspirado em fatos reais, ‘Em Nome da Lei’ é um raro filme a esmiuçar as relações entre o poder judiciário, a polícia federal e o crime. Estabelece o suspense como forma de cativar o espectador, embora o desagradável reconhecimento de um país entre a lei e a desordem já seja suficiente para manter o espectador antenado. Um filme para os dias que seguem.

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