André Bankoff diz que não ficou receoso com mudanças de 'Babilônia'

Ator, que seria amante de Beatriz na trama das 21h, vai ser cúmplice da megera

Por O Dia

Rio - Imagina um homem alto, louro, dos olhos claros, no melhor estilo galã de novela, batendo à sua porta, pedindo um pouco da sua atenção para tentar lhe vender um produto? Era dessa forma que André Bankoff, o mau-caráter Pedro de ‘Babilônia’, ganhava a vida antes da fama. Na certa, muitas mulheres gostariam de receber a visita de André só para vê-lo discursando sobre cobertores e enxoval de cama, mesa e banho. Mas, embora ele tivesse êxito na maioria de suas vendas, André decidiu largar o ofício de vendedor ainda jovem para investir na carreira de ator.

André Banfoff não ficou receoso com as mudanças de seu personagem em 'Babilônia'Maíra Coelho / Agência O Dia


“Meu avô é cigano búlgaro, e eu tenho o comércio búlgaro no meu sangue. Vendi enxoval de cama, mesa e banho, dos 13 aos 20 anos. Já saí de São Paulo para vender aqui no Rio, e olha que eu vendia muito, hein? Eu sempre perguntava para as mulheres se elas tinham filhas solteiras ou casadas, e, quando a resposta era ‘solteira’, eu as convencia a começar a montar o enxoval”, diverte-se André. “Aos 18 anos, eu já tinha montado minha primeira casa, tudo com o dinheiro das vendas. Mas comecei cedo, aos 12 anos já fazia comerciais de TV e aos 14 ingressei no teatro”, relembra André, 33 anos, nascido em Americana, São Paulo. Foi dessa forma que o ator aprendeu a lidar com o público e a receber com estímulo cada “não” que ouvia.

“Todo mundo quer ouvir ‘sim’. Quando alguém não comprava minha mercadoria, por exemplo, eu guardava tudo na caixa de novo, colocava dentro do carro e ia bater em outra porta. Assim foi na carreira de ator também. Cada ‘não’ que eu ouvia me ajudava a trabalhar e lutar mais”, comenta o ator, mostrando grandes diferenças entre ele e seu personagem na trama, que é ambicioso e não gosta de ser contrariado.

“Sou muito organizado em relação ao dinheiro, que é suado para ganhar. Não sou poupador nem gastador. Sou do estilo investidor. Nem sempre poupar é ganhar, tem que saber onde colocar o dinheiro. Sou um cara bem tranquilo. O Pedro, não, ele tem desvio de caráter, faz qualquer coisa por dinheiro, para subir na vida: se envolve em propina, corrupção, tudo pelo poder”, explica.

Quando começou a gravar a novela das 21h, André tinha nas mãos a responsabilidade de ser um dos amantes de Beatriz (interpretada por Glória Pires) e protagonizar com ela cenas bem picantes de sexo. Mas a rejeição do público em relação à história como um todo fez a trama mudar. Saíram de cena os beijos quentes e os momentos de pouca roupa dos personagens Pedro e Beatriz. O que não foi motivo de preocupação para André, que não cogitou ter seu papel diminuído por isso.

“O personagem começou a crescer, de verdade. Ele agora vai ser o mentor da Beatriz, o cérebro dela. Ele vai instigá-la a fazer várias coisas com as quais ela não concorda, só porque tem ela nas mãos. Pedro é muito esperto, vai se envolver com outras mulheres, se aliar a outras pessoas. Ele usa as palavras e a sedução para ganhar as pessoas”, adianta. Sedução essa que André garante só usar na ficção. Na vida real, ele prefere ficar na dele, esperando um sinal positivo para poder investir.

“Eu sempre espero uma troca de olhares, saco o ambiente. Nunca vou naquela de ‘se colar, colou’. Também não acho que a beleza seja uma arma para a sedução, a inteligência é. Não sou um cara vaidoso ao extremo para acordar e dizer: ‘Nossa, como sou bonito.’ Acho muito estranho o excesso da vaidade. O que é belo para mim pode não ser para o outro”, destaca o ator, que está solteiro no momento, mas nem por isso deixa de aproveitar a vida. “Eu tenho uma relação boa com o sexo, eu gosto. Sou um cara bem sexual”, responde ele, ao ser questionado se era parecido com a personagem Beatriz no início da novela, uma ninfomaníaca.

André pode até não ser vaidoso com o corpo, mas afirma que se importa bastante com a imagem que passa para o público. O ator revela que acompanha as redes sociais, também para ver o que estão falando de sua atuação: “Me preocupo bastante com a avaliação do público. Aliás, vejo novela para isso, para me corrigir. Antigamente, não tinha as redes sociais, hoje, os telespectadores estão mais críticos. Se você faz uma cena ruim, na hora vão lá e tuitam coisas do tipo: ‘Que cena horrível’ ou ‘nossa, ele estava péssimo’. O público opina, é ele quem dirige uma trama, é ele quem dá a aceitação ou não de tal personagem.”

E foi justamente o crivo do público que fez ‘Babilônia’ tomar novos rumos. Além de André, Glória Pires, Marcos Pasquim, Sophie Charlotte e outros atores tiveram seu papéis completamente alterados. “A gente ainda vive numa sociedade conservadora. Precisamos entender e respeitar que a formação da família mudou. Acompanhei algumas das polêmicas. E acho tudo muito louco. Acabei de fazer um gay no filme ‘Do Lado de Fora’, onde eu beijo o Marcelo Airoldi e meu personagem apanha na rua. A sociedade é preconceituosa, sim. E o trabalho do ator é conscientizar a população. Em pelo século XXI, as pessoas estão agredindo homossexuais. Isso não pode. A TV serve para orientar essas pessoas que têm mentalidade fechada, de punição e até hipócrita mesmo.”

CAPACIDADE DE FAZER TUDO AO MESMO TEMPO

Virginiano típico, como ele mesmo se define, André é hiperorganizado e divide sua agenda todinha pelos compromissos que tem que cumprir. Afirma que consegue atuar em vários projetos diferentes ao mesmo tempo, desde que se programe com antecedência. Prova disso é que ele está na novela, além de ensaiar o monólogo ‘Não Existe Mulher Difícil’ — em que vive dez mulheres e três homens no palco, está produzindo um infantil e ainda vai lançar o filme ‘Tais e Taiane’, na pele de um biólogo maconheiro.

“Sou um trabalhador, acordo cedo, às 7h. Às vezes, paro de trabalhar às 3h. Gosto e consigo fazer dez coisas ao mesmo tempo. Começo a ensaiar outra peça em junho, ‘A Experiência’, que vou estrear com a minha companhia de teatro, Grupo Tapa, em São Paulo. O ruim disso tudo é que fico longe da família. Mas toda essa dificuldade faz parte da vida, do jogo”, ressalta.

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