Coluna do Servidor: Saúde do Rio em estado de emergência

Categoria decidiu entrar em greve nesta quinta-feira durante assembleia

Por O Dia

Rio - Os atrasos salariais e a imprevisibilidade do pagamento do décimo terceiro levaram os servidores da secretaria estadual de Saúde do Rio a decretar greve a partir da próxima segunda-feira. A paralisação foi decidida ontem em assembleia com a presença de diversas categorias, como médicos, farmacêuticos, agentes de Vigilância Sanitária e técnicos em enfermagem, entre outras. Os funcionários alegam que muitos deles não têm mais “condições financeiras de subsistência” e estão com dificuldades de ir ao trabalho. Além disso, afirmam que estão ameaçados de despejo e de suspensão de serviços de fornecimento de água e energia. A notificação de deflagração de greve foi enviada à secretaria de Saúde.

A secretaria pagará até hoje os salários integrais de novembro a 4,6 mil servidores de níveis médio, fundamental e elementar. Os de Nível Superior e inativos receberão parcelado a partir de 5 de janeiro. E, segundo o conselheiro da Associação de Servidores da Vigilância Sanitária, André Ferraz, as categorias pleiteiam o crédito de todos os funcionários. “O estado não está se esforçando para isso. Não há valorização das categorias”, disse ele, que acrescentou: De onde saiu o dinheiro do <estado para pagar a folha integral da Fazenda?”.

Diretor da Federação Nacional dos Médicos, Jorge Darze chamou atenção para a falta de condições de trabalho de atendimento. “A situação é gravíssima. O que estão fazendo é tortura”, disse.

A secretaria disse à coluna que “reconhece o direito legítimo de greve, desde que não impeça a manutenção de serviços essenciais”. A pasta disse ainda que “a greve anunciada abrange cerca de 30% dos funcionários, já que cerca de 70% dos colaboradores da secretaria já receberam os salários”.

Já em Duque de Caxias, médicos e demais servidores da Saúde do município entraram em greve ontem. Eles só receberam uma porcentagem da 1ª parcela do salário de novembro (que é dividido em três partes) e não têm previsão sobre o 13º. As categorias fizeram a ‘Ceia da miséria’ (foto) na Praça do Pacificador, denunciando atrasos salariais e falta de estrutura em unidades.

Nos ambulatórios

Jorge Darze explica que, durante a greve, alguns serviços, como de emergência, serão mantidos 24 horas, mas outras áreas serão mais afetadas. “A greve na Saúde tem impacto maior na área dos ambulatórios”, disse ele, citando, por exemplo, o Instituto Estadual de Cardiologia Aloizio de Castro, Hemorio, o de hematologia e o Iaserj, no Maracanã.

Crédito adicional

Os servidores da Saúde estadual farão assembleia no dia 5 de janeiro para decidir os rumos do movimento. Neste dia,será paga a 1ª parcela dos salários dos demais servidores. A Secretaria de Saúde informou que, em 26 de janeiro, será pago com recursos da pasta, um adicional de produtividade aos servidores da Superintendência de Vigilância Sanitária.

Negociação futura

Diretor administrativo do Sindicato dos Técnicos e Auxiliares de Enfermagem de Caxias, Antônio Santos diz que as classes miram na próxima gestão: Washington Reis assumirá a prefeitura no lugar do atual prefeito Alexandre Cardoso . “O objetivo é forçar uma conversa com o próximo prefeito para haver definição do salário”, disse.

'À espera de recursos'

Em nota no portal da prefeitura, a Administração de Caxias atribuiu os atrasos salariais à “insuficiência de recursos”. “Principalmente em razão da ausência de repasses financeiros estaduais”, disse. A prefeitura afirmou que aguarda o repasse de recursos da repatriação pela União, que serão utilizados para pagar vecimentos.

Relato de servidores

Segundo os médicos de Caxias, falta água nos postos de Saúde e, muitas vezes, eles estão fazendo cópia de receituário com dinheiro próprio para poder prescrever para pacientes. “Queremos transparência, detalhamento dos números. A prefeitura diz que não há recursos para pagar, mas não temos acesso às informações”, disseram servidores.

No Palácio Guanabara

O Muspe organiza ato em frente ao Palácio Guanabara, no dia 5 de janeiro. Os servidores farão a passeata do ‘Calendário da Fome’ saindo do Largo do Machado às 10h. “Será aos moldes do que fizemos na Alerj”, disse Mesac Eflain, um dos líderes do Muspe. Alzimar Andrade, também da entidade, alertou que hoje não terá entrega de cesta básica.

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