Nelson Vasconcelos: coisa de fã ou malandragem?

Mas a moral da história é: não podemos acreditar em tudo o que nos dizem

Por O Dia

Rio - Uma ótima história envolvendo a popstar Anitta mostra como estamos bastante vulneráveis a mentirinhas e mentironas nestes tempos tão coalhados de espertinhos. Imagine você que um grupo de fãs bem organizado usa truques feios para aumentar artificialmente o sucesso da cantora no exterior. Não que sua trajetória lá fora seja falsa.

Não é. Mas esse artifício mostra que a fama talvez não seja tão grande. Explica-se. A idílica canção “Paradinha”, da Anitta, foi boa sacada de marketing para sua chegada ao mercado latino-americano da música. Um dos indicadores de que ela foi bem aceita por lá é o número de acessos feitos no exterior à música, disponível em sites como YouTube, Spotify etc. 

Só que boa parte desses acessos, na verdade, foi feita aqui no Brasil pelos fãs, como mostra Carol Prado, do portal de notícias G1. Como se faz isso? Os tais fãs, reunidos numa certa Central Anitta, usam uma rede que disfarça sua verdadeira origem. Eles estão aqui no Brasil, mas o artifício tecnológico (alterando o IP do computador) faz os sites “lerem” que eles estão acessando lá nos Estados Unidos, por exemplo.

Para as estatísticas, é isso que conta para contabilizar os acessos. E haja, então, milhares e milhares de cliques supostamente feitos pelo público estrangeiro — mas, na verdade, feitos aqui mesmo.

Tem fã que fica cinco horas ou mais se dedicando a esse esquema. Só por amor. No fim das contas, “Paradinha” acaba subindo no ranking dos sites de músicas, chegando entre as canções mais procuradas. Com isso, acaba influenciando o público que não conhece Anitta.

A iniciativa seria uma coisa de fã ou pura pilantragem marqueteira? Aí é que está o busílis, nem vou discutir a respeito. Mas a moral da história é: não podemos acreditar em tudo o que nos dizem.

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