Lições de vida no Complexo da Maré

Vitorioso, projeto Luta pela Paz forma campeões no esporte e cidadãos livres da violência da comunidade carioca

Por O Dia

Rio - Criado em 2000 pelo antropólogo inglês Luke Dowdney — um ex-boxeador amador — o Luta Pela Paz surgiu na Favela Nova Holanda, no Complexo da Maré, com o objetivo de afastar jovens da violência, principalmente do tráfico, através do boxe. O projeto social, hoje, é um sucesso, referência mundial envolvendo o esporte.

Com duas sedes oficiais — uma na Maré e outra em Londres — a instituição oferece uma alternativa não só no esporte, mas também na vida. A metodologia é replicada com sucesso em 25 países de quatro continentes. De acordo com o site oficial do projeto, conhecido no exterior como Fight for Peace, mais de 250 mil jovens de comunidades carentes são beneficiados em todo o mundo.

Diferentes modalidades são ensinadas nas academias do Luta pela Paz%2C que já formou atletas para equipes olímpicas Divulgação

Manter um projeto deste tamanho não é fácil. O Luta pela Paz tem como apoiadores a Associação Internacional de Boxe (Aiba) — que dá bolsa para cinco alunos —; a empresa sueca Ikea; o fundo das Nações Unidas para ciência e educação (Unesco); o banco Credit Suisse e a empresa de material esportivo Reebok, que revende os produtos da grife Luta, criada pelo projeto. Parte do lucro é revertida ao Luta Pela Paz.

Na Maré, além da sede, o projeto conta com polos em duas outras comunidades (Baixa do Sapateiro e Marcílio Dias). Para conseguir manter o modelo atual, é preciso orçamento mínimo anual de aproximadamente R$ 4 milhões, não incluindo os projetos especiais. O projeto atende a 3 mil jovens nas academias em seis modalidades de lutas. Todos na faixa dos 6 aos 29 anos. 

A Sede do Luta pela paz%2C no Rio de Janeiro%2C fica localizada na Favela Nova Holanda%2C uma área ainda sob domínio da violênciaDivulgação

Além das modalidades e do local de treinamento para os jovens, o Luta exige que seus alunos, para continuar na academia, assistam às aulas de cidadania e tenham uma frequência mínima para não serem cortados. Também é oferecido pelo projeto assistência social aos atletas, um encaminhamento para conseguir emprego, além de auxílio para que os alunos voltem à escola. 

Recursos do projeto vêm de fora

A maioria dos recursos obtidos pelo Luta pela Paz é proveniente de fundações internacionais, que costumam renovar parcerias e investir em novos projetos. Também são recebidos recursos de empresas nacionais através da Lei de Incentivo ao Esporte. E, como forma de manter a sustentabilidade do grupo, também realiza parcerias globais.

Como contrapartida, o patrocinador vê sua logomarca inserida no site da organização, menção em conteúdos jornalísticos, vídeos de divulgação e mídias sociais, materiais gráficos de eventos e nos uniformes.

Ex pugilista%2C o antropólogo inglês Luke Dowdney fundou o projeto social há 15 anosDivulgação


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