Por fabio.klotz

Rio - Às vésperas do primeiro jogo da decisão do Carioca, o futuro do técnico Jorginho está em aberto. Assediado pelo Cruzeiro, que já lhe teria feito uma proposta de R$ 450 mil - contra os R$ 200 mil que recebe atualmente -, o comandante vascaíno se nega a falar sobre o assunto para evitar que os jogadores percam a concentração. Mas quanto menos fala, mais dá a entender que sua permanência é incerta. A ponto de o presidente Eurico Miranda reclamar da falta de ética do clube mineiro.

Fica no Vasco ou para o Cruzeiro%3F O mistério do futuro de JorginhoPaulo Fernandes / Vasco.com.br / Divulgação

“Para mim, ele disse que não tem nada acertado. Se tiver, está acertado. O que não pode é tirar a concentração do jogo contra o Botafogo. A minha posição é clara, só que ele vai ter que me dizer (se vai sair)”, afirmou o presidente, que conversou com o treinador antes do treinamento desta sexta-feira, em São Januário. Uma conversa que deve ter sido longa, a se julgar o tempo que os jornalistas esperaram para entrar no estádio, quase uma hora depois.

Durante o encontro, o dirigente lembrou ao técnico o bom trabalho que ele vem desenvolvendo no clube e a estabilidade conquistada. Mesmo nos momentos mais difíceis, como na vergonhosa goleada sofrida por 6 a 0 para o Internacional, no Brasileiro do ano passado, Eurico apostou no trabalho de um técnico que estava desempregado até ganhar a chance de comandar um clube de ponta do futebol brasileiro.

“Tudo o que estão falando são suposições. E não falar é a melhor coisa que tem. Quando acontece o boato, quanto mais se fala é pior”, argumentou Jorginho, tentando conter a irritação nas várias vezes em que foi questionado sobre o tema: “É um direito que eu tenho não falar. Não quero mudar o foco.”

Como o técnico não bancou, em nenhum momento, a sua permanência, nos bastidores a diretoria já começa a pensar em um plano B para não ser pega de calças nas mãos após o segundo jogo da final do Campeonato Carioca.

Um título para ficar marcado para sempre

Se realmente aceitar a proposta do Cruzeiro, Jorginho gostaria de deixar como legado em São Januário o bicampeonato carioca, título que o Vasco não conquista desde 1993.

“Seria uma grande alegria ver o Vasco ser bicampeão. Já fui campeão como jogador do Vasco, na Mercosul.. É um gosto muito especial. Sou carioca, ganhei como atleta e gostaria de ganhar como treinador”, disse Jorginho, que despistou durante toda a entrevista coletiva sobre a sua permanência no clube.

O possível título seria inesquecível para o técnico: “Seria o primeiro título no Brasil como treinador, já que como auxiliar técnico não conta. Mas vai ser pedreira”, completou Jorginho.

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