Ibovespa fecha no azul, mas acumula perdas de 2,57% na semana

Volatilidade do índice nos últimos pregões reflete as incertezas em relação ao futuro da política econômica. Dólar sobe, cotado a R$ 2,56

Por O Dia

A Bovespa encerrou em alta nesta sexta-feira, refletindo ganhos das blue chips como Petrobras, Vale e bancos e após dados do mercado de trabalho norte-americano piores que o esperado.

O Ibovespa subiu 1,11%, aos 53.222 pontos. Na semana, o índice perdeu 2,57%. O giro financeiro do pregão foi de R$ 6,5 bilhões. No acumulado da semana, o índice recuou 2,57% e no ano, a alta é de R$ 3,33%. 

A bolsa recuou pela manhã até pouco antes da abertura dos mercados norte-americanos, que ficaram voláteis após números fracos de geração de emprego.

"O 'payroll' foi a principal notícia do dia. O resultado indica maior chance de o Fed (banco central dos Estados Unidos) manter o juro próximo a zero por algum tempo, o que acalmou um pouco os mercados", disse o analista de renda variável João Pedro Brugger, da Leme Investimentos.

Ele acrescentou que a desvalorização do real vista nas últimas sessões deixa as ações brasileiras mais atraente para investidores estrangeiros, principalmente no momento em que ações como Petrobras acumulam quedas expressivas.

As ações da estatal deram o tom do pregão desta sexta, com volatilidade intensa após o anúncio de reajuste nos preços da gasolina e do diesel feito na noite da véspera.

Profissionais do mercado afirmaram que o reajuste de 3% da gasolina veio abaixo do esperado, motivando queda dos papéis pela manhã. Depois reverteram com força após a abertura do pregão nos EUA. O papel PN fechou em alta de 1,49%, após acumular queda de 8% nas quatro sessões.

Para o especialista em renda variável Rogério Oliveira, da Icap Brasil, a bolsa se recuperou após atingir uma região de suporte gráfico importante. "A bolsa tem uma região de suporte nos 52.400 pontos em que bateu e teve um repique", disse.

Além da Petrobras, a mineradora Vale e outras ações de peso como Ambev e Itaú Unibanco deram importantes contribuições para a alta do Ibovespa. As maiores valorizações foram de Usiminas, com 4,76%, e Localiza, com 4,23%.

No sentido oposto, BR Properties teve a maior queda do Ibovespa após, junto com a América Latina Logística (ALL), ser excluída da nova composição do índice global da MSCI Brasil, referência para investidores estrangeiros. A nova carteira, que não teve nenhuma nova adição, entra em vigor no fim do pregão de 25 de novembro.

Dólar

O dólar fechou quase estável ante o real nesta sexta-feira, mas marcou mais uma alta semanal devido a persistentes incertezas sobre a política econômica do segundo mandato de Dilma Rousseff.

A moeda norte-americana chegou a encostar em R$ 2,59  na máxima da sessão mas terminou o dia com leve alta de 0,11%, a 2,5634 reais na venda, pois dados piores do que o esperado sobre o mercado de trabalho nos Estados Unidos limitaram o avanço da divisa.

Na semana, a alta foi de 3,4%. O dólar subiu durante oito das últimas nove semanas, período em que acumulou avanço de quase 15%. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro nesta sessão ficou em US$ 1,2 bilhão.

"O mercado vai continuar se protegendo no dólar enquanto não tivermos mais detalhes sobre o futuro", disse o gerente de câmbio da corretora Treviso, Reginaldo Galhardo.

A principal dúvida dos investidores é sobre o futuro da política fiscal brasileira, criticada por ser excessivamente expansionista e pouco transparente.

Um sinal importante sobre a disposição do governo de cortar gastos virá com a escolha do novo ministro da Fazenda. Nesta semana, no entanto, Dilma afirmou que só nomeará o sucessor de Guido Mantega após a reunião do G20, que ocorre em 15 e 16 de novembro.

"A situação está tão incerta agora que, quando não tem notícias que poderiam mexer com o mercado, o dólar sobe", disse o superintendente de câmbio da corretora TOV, Reginaldo Siaca.

Segundo analistas, os números reforçaram expectativas de que o Federal Reserve, banco central norte-americano, não aumente os juros antes do segundo semestre de 2015, mantendo a atratividade de ativos de economias emergentes como a brasileira.

"Os números fracos de geração de emprego nos EUA deixam claro que a situação não é completamente confortável lá e o Fed não deve começar a subir os juros em breve", disse o estrategista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno.

Nesta manhã, o Banco Central brasileiro vendeu a oferta total de swaps cambiais, que equivalem a venda futura de dólares, pelas atuações diárias. Foram vendidos 2,5 mil contratos para 1º de junho e 1,5 mil para 1º de setembro de 2015, com volume correspondente a US$ 196,6 milhões.

O BC também vendeu nesta sessão a oferta total de até 9 mil swaps para rolagem dos contratos que vencem em 1º de dezembro. Ao todo, a autoridade monetária já rolou cerca de 18% do lote total, equivalente a US$ 9,831 bilhões.

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