Mercado publicitário oscila em 2014

Depois de um primeiro semestre com crescimento de dois dígitos, previsão é de fechar o ano com até 8% aumento. Para 2015, cenário é ainda pior, com 5% de alta

Por O Dia

O mercado publicitário no Brasil até que começou bem o ano, com um primeiro semestre com crescimento no volume de negócios de 18,7% ante o mesmo período em 2013, impulsionado pela Copa do Mundo. Segundo a Associação Brasileira de Agências de Publicidade (Abap), o encerramento de 2014 não será dos melhores e a expectativa é de crescimento, porém em volumes bem mais modestos, afirma o presidente da entidade, Orlando Marques.

“Vamos fechar 2014 com crescimento entre 6% e 8%. Como todo publicitário é um otimista nato, estou apostando que a alta será de 8%. É muito menos, chega a ser a metade do que vivenciamos no primeiro semestre. Essa queda tão grande se deve não só ao esfriamento do mercado no pós-Copa sem o Brasil como campeão do mundo, como pela situação criada no segundo semestre, em ano eleitoral, que também acaba travando investimentos do mercado”, explica ele.

De acordo com dados do Projeto Inter-Meios, no período de janeiro a junho deste ano, o investimento bruto em publicidade foi de R$ 17,29 bilhões. A TV paga e a mídia exterior fecharam os seis primeiros meses do ano com as maiores fatias do bolo publicitário, registrando alta de 49% e 36%, respectivamente.

Em todo o semestre, o crescimento nunca foi inferior a dois dígitos. E ficou ainda maior no mês de junho, quando foi dado o pontapé inicial para a Copa no Brasil, com um salto no investimento bruto do mercado publicitário de 25,12% ante o mesmo mês de 2013.

Marques lembra que, enquanto alguns segmentos como o de artigos esportivos e bebidas e alimentação fora do lar tiveram um grande destaque no primeiro semestre, o varejo pouco se mexeu.

“Julho foi um mês desastroso para o comércio, que agora vem se recuperando. Mas, mesmo assim, a retomada não ajudou a mudar o retrato do nosso mercado para esse ano. Este resultado ruim vai atravessar 2015 e, falando de futuro, estamos vislumbrando um primeiro semestre preocupante. Vamos crescer, sim, mas em torno de 5%”, afirma o presidente da Abap.

Os motivos, diz ele, estão no momento de ajuste no país, com uma nova equipe econômica, aumentos de custos, entre eles o de energia, e a necessidade de conter a inflação.

“Em período de ajuste econômico, o freio é natural. Queremos que haja uma reorganização da economia, desde que ela não comprometa o desenvolvimento e o emprego. Temos que apostar que a nova equipe de governo vai promover as mudanças necessárias sem fazer do controle da inflação algo que trave o crescimento e a renda”, comenta Marques.

Uma parcela da população continua sendo vista como essencial para o desenvolvimento de anunciantes e também do mercado publicitário. Marques cita a classe C como uma fatia que ainda merece muito estudo e conhecimento por parte do setor.

“A nova classe média continua sendo a grande movimentadora da economia no país. E é para esta parte da população que empresas e o mercado precisam criar meios de ofertar mais e melhor. O fato é que todas as empresas estão cada vez mais olhando esse mercado e investindo fortemente em estudos para saber mais sobre quem é este consumidor”, acrescenta Marques.

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