Praias do Rio se tornam laboratório com a diversificação de negócios

De cerveja artesanal, passando por espumantes em lata a faixa de areia é o primeiro passo para quem quer crescer no asfalato

Por O Dia

Rio - O democrático espaço das praias oferecem um mar de oportunidades para empreendedores que iniciam um negócio nas areias e planejam crescer no asfalto. Dados da Associação do Comércio Legalizado de Praia (Ascolpra), que tem sede no Rio de Janeiro,mostram que somente na orla carioca são dois mil empreendedores. Os serviços predominantes são a venda de alimentação, artesanato e vestuário. Já um levantamento do Sebrae Nacional aponta que, na extensão de areia do Rio, 900 barracas movimentam R$ 1,5 milhão por mês. Isso sem contar os quiosques, que passaram a ser um modelo de negócio explorado por franquias.

Pela visibilidade natural do Rio como uma das principais portas de entrada do turismo, algumas boas ideias começam nas praias da cidade. Para chegar ao consumidor que está na areia, modelos de negócios variados, que usam a criatividade como atrativo.É o caso de Carolina Chaves, publicitária curitibana que mora há cinco anos no Rio e é dona da Bubble Bike. Ela começou no início deste ano a venda de champanhe em lata e viu que pode ir além. A entrega é feita de bicicleta e chega nas mãos dos clientes que aproveitam o sol nos finais de semana.

“Nós começamos nos finais de semana, na praia, mas já estamos expandindo os dias de trabalho. Foram mais de três anos de pesquisa sobre tendências e também sobre o produto, até chegarmos ao espumante demi séc com sabor marcante em lata, que acreditamos ser a melhor opção para a praia. Na praia não pode ter embalagens de vidro e, por isso, tivemos que encontrar um fornecedor, uma vinícola no Sul, que atendesse a nossa necessidade.”

Com sua bicicleta customizada, ela circula por Ipanema e Leblon e vende cada lata por R$ 15. Agora, estuda preparar outras bikes para rodar na orla de São Conrado. O trabalho como publicitária e produtora de eventos tem dado lugar ao trabalho com a Bubble Bike e, segundo Carolina, a aceitação superou as expectativas.

Vender cerveja artesanal na praia foi a proposta que cinco sócios cariocas desenvolveram para a criação da “Irada!”. Felipe Nogueira, um dos sócios, diz que o primeiro passo foi conhecer o mercado e fazer o investimento de R$ 100 mil para o desenvolvimento de uma fórmula, além de encontrar uma cervejaria para a produção da bebida. O resultado: desde o início de dezembro do ano passado a cerveja é vendida em mochilas, que armazenam a bebida servida em copos, ao preço unitário de R$ 8. O faturamento em 2015 deverá chegar a R$ 500 mil, acredita Nogueira.

“Escolhemos a cervejaria Allegra, que fica na zona Oeste do Rio, para produzir nossa fórmula. E fechamos com a 2East, mesma empresa que fabrica as mochilas de bebidas em festivais como Rock in Rio e Lollapalooza, para armazenagem do produto. Cada um de nós ainda segue com nossas profissões no dia a dia. Somos empresários e profissionais do mercado financeiro. Mas queríamos colocar em prática uma ideia que achamos que tinha tudo para dar certo. Agora, estamos recebendo propostas para expandir o negócio no Rio e em outros estados”, adianta.

Para ele, o maior desafio é o logístico. Por isso, foi feita uma parceria com uma das barracas de praia do Leblon, onde foi montado uma espécie de “entreposto” para reabastecimento das mochilas. Nogueira já pensa no envase da Irada! em garrafas, com o objetivo de sair da praia e chegar aos bares da orla.

Raphael Krás, idealizador da marca Hareburger, de hambúrgueres vegetarianos, começou em 2006 na areia e hoje tem duas unidades franqueadas, uma no Centro do Rio e outra em Ipanema. Krás diz que a criatividade do cardápio e o apelo lúdico para vender os sanduíches estão entre as receitas que fizeram o Hareburguer começar a dar os primeiros passos no franchising.

Também com a meta de crescer para além das areias, Carolina Figueiredo, dona do Market, decidiu abrir o serviço de entrega nas praias. O QG é uma pequena loja em Ipanema, de onde saem os pratos saudáveis, saladas, sucos e sobremesas, entregues de bicicleta.

Franquias também invadem calçadões do Leme ao Pontal

Enquanto novos empreendedores procuram um lugar ao sol nas areias, grandes redes de franquias também encontram na orla mais um modelo de negócio para expandir sua atuação. O presidente da Associação Brasileira de Franchising - Rio (ABF-Rio), Beto Filho, afirma que, pelo dinamismo das marcas franqueadoras, seria impossível não olhar a praia como uma opção para franquia.

“Nessa época do ano, principalmente, a movimentação, a circulação de pessoas da cidade, turistas nacionais e de outros países, concentra na praia o seu maior fluxo. É ali também que o dinheiro circula. A praia se torna uma grande avenida comercial. E como a estrutura da orla oferece condições para montagem de uma loja em padrões que são exigidos pelo franchising, estas empresas estão procurando seu espaço, do Leme ao Pontal”, diz ele.

A Orla Rio, empresa que administra e comercializa os quiosques na cidade, informou que está em negociação com algumas empresas franqueadoras, mas que ainda não pode revelar os nomes. Entre as que já se instalaram no calçadão carioca, estão marcas como Quiosque Chopp Brahma, Habib´s e Espetto Carioca.

“A expansão na zona Sul faz parte da estratégia de expansão do Espetto Carioca no Rio de Janeiro. O quiosque de Copacabana tem um ano de experiência e os resultados comprovam que a orla da cidade, para a marca, em especial na zona Sul, se faz necessária para seus planos de aumentar a visibilidade e conquistar mais franqueados”, diz Leandro Souza, franqueador do Espetto Carioca.

A mais recente unidade da marca foi aberta no final do ano passado, na pedra do Leme, também na zona Sul do Rio. Segundo Souza, foi feita uma parceria com o Orla Rio para a abertura de mais pontos de venda, por meio de franquias. O projeto do Espetto Carioca é de fechar o ano de 2015 com seis em funcionamento e uma média de faturamento em torno de R$ 100 mil a R$ 120 mil mensais por unidade.

Beto Filho, da ABF-Rio, diz que, além da orla, estar no entorno da praia é outro foco dos franqueadores. “A presença no entorno da praia, aproveitando a flutuação de turistas por ruas próximas é outra estratégia de crescimento que o mercado de franquias vem cada vez mais exercitando. A rede Bob´s é uma das que se empenha na abertura de lojas com este perfil”, comenta.

Mesmo não sendo ainda uma franquia, a Geneal, tradicional marca do Rio que tinha a praia como um dos principais pontos de venda há quase 50 anos, abriu no final de 2014 um quiosque na praia de Copacabana, em parceria com o Orla Rio e o shopping Rio Sul. Com um bicicletário, um espaço dog friendly e decoração que remete ao estilo de vida carioca, a unidade é também um meio de aumentar a visibilidade da marca e contar sua história para os consumidores.

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