STF autoriza inclusão do nome de advogado de Cerveró na lista da Interpol

Edson Ribeiro foi localizado nos EUA. Ele é acusado de negociar com Delcídio a venda de delação premiada do cliente

Por O Dia

Rio - O ministro relator da Operação Lava Jato no STF (Supremo Tribunal Federal), Teori Zavascki, autorizou nesta quinta-feira a inclusão do nome do advogado Edson Ribeiro na lista da Interpol. Ribeiro defendeu o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró e é acusado de negociar a venda de sua delação premiada com o senador Delcídio do Amaral (PT-MS), preso nesta quarta-feira.

A Polícia Federal localizou o advogado nos Estados Unidos, em uma cidade não revelada, nesta quarta-feira,. Ele não foi detido, pois seu nome não estava incluído na lista da Interpol. Segundo Zavascki, a ordem de prisão deve ocorrer em breve.

Saiba mais: Delcídio acordou confiante de que reverterá situação, diz assessor

Advogado Edson Ribeiro teve prisão decretada nesta quarta-feira Reprodução TV Globo

A Operação Lava Jato prendeu além do senador, o banqueiro André Esteves e um funcionário do Senado. Todos são acusados de atrapalhar as investigações sobre o esquema de corrupção da Petrobras.

Delcídio teve sua prisão mantida pelo Senado, na note desta quarta-feira, por 59 votos a 13 . A maior parte dos senadores que votou contra a permanência de Delcídio na cadeia tem envolvimento com a Lava Jato e teme, agora, o chamado efeito dominó, que poderá levar a prisão de outros envolvidos no esquema de corrupção.

Segundo o Ministério Público Federal, junto com o banqueiro André Esteves, o senador ofereceu pagamento de R$ 4 milhões ao advogado Edson Ribeiro, contratado pelo ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, para que o investigado não firmasse acordo de delação premiada na Lava Jato.

A proposta seria Cerveró assinar o acordo, mas não mencionar nem Delcídio ou o banqueiro nos depoimentos. A dupla também teria pago R$ 50 mil a Bernardo Cerveró, filho do ex-executivo da estatal, em troca do silêncio do depoente. O restante da família receberia a mesma quantia mensal como recompensa.

"O Senador Delcídio Amaral contou com o auxílio do advogado Edson Ribeiro, que, embora constituído por Nestor Cerveró, acabou por ser cooptado pelo congressista. O advogado Edson Ribeiro passou, efetivamente, a proteger os interesses do Senador Delcídio Amaral em sua interação profissional com Nestor Cerveró e Bernardo Cerveró, mesmo depois de tomada por Nestor Cerveró a decisão de oferecer colaboração premiada ao Ministério Público Federal. O advogado Edson Ribeiro recebeu do Senador Delcídio Amaral, a certa altura das tratativas, a promessa de pagamento dos honorários que convencionara com Nestor Cerveró, cujo valor era de R$ 4.000.000,00 (quatro milhões de reais)", diz o documento da Procuradoria Geral da República (PGR).

Segundo a PGR, o banqueiro André Esteves, dono do Banco BTG Factual, arcaria com os custos para não ter seu nome mencionado no acordo de colaboração ou para o ex-diretor desistir. "Ao menos parte desses recursos seria dissimulada na forma de honorários advocatícios a serem convencionados em contrato de prestação de serviços de advocacia entre André Esteves e/ou pessoa jurídica por ele controlada com o advogado Edson Ribeiro." Esteves está preso na Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro. 

Nestor Cerveró firmou acordo de colaboração premiada com o Ministério público Federal no dia 18 de novembro deste ano.

Últimas de _legado_Brasil