Mala pronta apesar do dólar

Mesmo com o real desvalorizado, turista carioca deve manter planos de viajar para fora

Por O Dia

Rio - A valorização do dólar não desmotivou o brasileiro a desarrumar as malas da viagem para o exterior. Com a moeda no patamar de R$ 2,13, a procura por pacotes internacionais foi redirecionada. Segundo levantamento do site Mundi, que compara preços de hospedagens e tarifas aéreas, a escolha por destinos para os Estados Unidos caiu 18% no começo de junho. Para países como Argentina, Chile, Uruguai e Peru, no entanto, subiu 42%. A manutenção dos planos de férias é reforçada pela perspectiva da moeda fechar o ano em R$ 2,05 (comercial) e de R$ 2,15 ( turismo). Ontem, o dólar teve queda de 0,53%.

Após planejar a viagem para o exterior ao longo de seis meses%2C Sandra Silveira pretende cortar os gastos com presentes e com restaurantesCarlo Wrede / Agência O Dia

“A mudança na escolha dos destinos ocorreu no mesmo período da alta do dólar”, explica Rodrigo Waissman, diretor de Marketing do Mundi.

Mesmo com o mercado de câmbio agitado, o carioca se mantém firme em viajar para fora do país. Pesquisa do Ministério do Turismo feita em conjunto com a Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostra que os moradores do Rio são os segundo do ranking (33,3%) que mais têm vontade de conhecer outro país. Os primeiros (35,1%) são os residentes em Porto Alegre (RS).

COMPRA FRACIONADA

“O ideal para quem vai viajar é fracionar a compra de dólar. Foge do impacto das altas repentinas. Comprar tudo de uma vez é arriscado”, afirma Carolina Gomes, diretora da Graco Corretora de Câmbio de São Paulo, ressaltando que o turista deve evitar ao máximo usar o cartão de crédito. “É preciso haver planejamento. O cartão de débito é boa saída”.

A jornalista Sandra Silveira planeja a viagem para o exterior desde janeiro. Com a valorização da moeda, ela diz que terá rever gastos com presentes e em restaurantes. “Os gastos aumentaram em torno de 10%”, explica.

BC intervém mais uma vez e moeda fecha em queda

Em mais um dia em que o Banco Central teve que intervir no mercado, o dólar fechou em queda de 0,53%, valendo R$2,1365. Pela manhã, a divisa chegou a R$2,1621, a maior cotação desde março de 2009. Em seguida, o BC fez dois leilões, negociando US$ 2,244 bilhões.

O mercado também se acalmou com a notícia de que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e a presidenta Dilma Rousseff iriam discutir a retirada da alíquota de 1% do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre derivativos. Na semana passada, o governo já havia zerado a cobrança do imposto de 6% em cima das aplicações de estrangeiros em renda fixa. Ao chegar em São Paulo, depois da reunião com Dilma, Mantega espantou a possibilidade de crise.

“A oscilação do dólar está ligada à instabilidade da economia internacional”, explica Gabriel Melo, consultor de vendas da Graco Corretora de Câmbio.

Preços do trigo e do milho também sofrem pressão do câmbio elevado

Além das viagens, o dólar em alta afeta diretamente produtos que fazem parte da dieta do brasileiro. O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) avalia que os preços do milho e do trigo aumentaram na última semana devido à crescente demanda interna e à valorização da moeda.

Com o dólar em alta, fica mais vantajoso para os produtores exportarem, que aproveitam os preços mais competitivos fora do país.

Além disso, com os estoques nacionais desses grãos estão baixos ou quase nulos, o setor depende das importações. A valorização do divisa deixa as compras externas mais caras.

A Sociedade Rural Brasileira analisa que um câmbio entre R$ 2,10 a R$ 2,20 é “saudável” para o setor agropecuário do país.

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