Profissionais com perfis vanguardistas têm mais chance de conseguir emprego

O RH das empresas avalia não só o currículo do candidato, mas também suas atitudes, seja no meio corporativo ou social

Por O Dia

Em 2014%2C 15% das empresas brasileiras já haviam adotado o home office. Pelo IBPT o número de novas empresas no Brasil caiu 13% no primeiro semestre de 2014Agência O Dia

Rio - O encurtamento do mundo hoje, efeito da globalização, colabora para o surgimento de perfis vanguardistas, cada vez mais cobiçados no mercado de trabalho. São eles, o voluntário, o sustentável, o fitness, o pluricultural e o gay friendly. E segundo especialistas, são cartas que se traz na manga nos processos seletivos para obter emprego ou na hora de se manter nele em tempos de demissões em massa.

Qualidades profissionais tidas como pós culturais são inovadoras e ampliam a visão do mercado atual, afirma Carlos Eduardo Pereira, psicólogo e consultor de Carreiras do Bê-á-bá do RH. O consultor diz que, hoje, o RH de uma empresa quando entra em contato com um candidato avalia não somente o currículo e habilidades técnicas, mas procura conhecer melhor suas atitudes, seja no meio corporativo ou social, além de suas limitações ao lidar com as diferenças. “Vivemos em um mundo plural, movido por esses perfis”, explica Pereira.

O funcionário que tem o perfil fitness, garante à empresa alguém preocupado com a saúde, que evita afastamento por conta de doenças. É mais disciplinado e transmite isso aos outros colegas, seja convidando para uma caminhada ou a mudar hábitos alimentares, orienta o especialista do Bê-á-bá do RH.
Já o empregado sustentável tem um perfil bem objetivo.

“Como estamos em um momento de escassez de recursos, esse perfil se valoriza”, afirma o consultor. Pereira acredita que essa consciência deveria ser mais enraizada nos candidatos pois as regras de sustentabilidade são uma realidade hoje. “Esse perfil é identificado até pela roupa que veste. Ele não usa copos descartáveis no escritório, se preocupa em apagar as luzes ao deixar ambientes e imprime menos”, afirma.

Sobre o voluntário, é um candidato que sabe ouvir o outro. “Ele sabe trabalhar em equipe e doa melhor o seu tempo”, diz o consultor de RH.

O gay friendly e o pluricultural se unem quando o assunto é saber lidar com as diferenças. O segundo se interessa pelo novo e por já ter se deparado com outras culturas, sabe como tratar as diferenças, garante Débora Nascimento, gerente do Instituto Capacitare. “Como o gay ainda é visto por parte da sociedade como uma figura diferente, o friendly sabe lidar com isso, e leva essa coragem e flexibilidade para o ambiente corporativo”, explica.

Débora acredita que há um movimento atual das empresas em quebrar o tabu com relação ao universo homossexual, tanto com o seu público consumidor, quanto internamente, com uma maior preocupação da equipe de RH que quer conhecer, entender e melhor aproveitar as qualidades desse perfil.

A Coca-Cola lançou este mês uma campanha que aborda com sutileza o universo homossexual entre os jovens no Brasil. Raphael Thomé, 17 anos, é um dos protagonistas da propaganda e diz que foi um trabalho desafiador. “Como adolescente, vejo que ainda há preconceito, mas acredito que o posicionamento de marcas fortes de abrangência global sobre o tema pode contribuir para que as pessoas repensem suas atitudes”, acredita Thomé.

Responsabilidades e prazeres do home office

Deixar o trabalhador atuar de casa é uma opção adotada por empresas em todo o mundo, e no Brasil. Mas ter organização e disciplina para trabalhar sem supervisão de um chefe é qualidade que vale ouro na hora de disputar uma vaga numa dessas firmas. Segundo dados da Top Employers Institute, que pesquisa e certifica mundialmente práticas de RH, até o fim do ano passado, 15% das empresas brasileiras tinham adotado o modelo. Em 2012, esse índice era de 6%. Ou seja, mais empregos com este perfil estão sendo abertos.

O profissional home office precisa ter todas as cartas na manga para que não vire o jogo contra si próprio. Ser fit é fundamental, pois como não se desloca até o escritório pode desenvolver hábitos de sedentarismo. E como otimiza seu tempo ao trabalhar de casa, tem mais horas do dia disponíveis para um trabalho voluntário, que é muito bem visto pelas empresas atualmente. Ser sustentável nesse ponto, também é importante, pois trabalhar em casa, tende a gerar um aumento do consumo de energia e maior fluxo de lixo naquele ambiente. Como a opção gera um afastamento comum, o home office precisa ser amigável à posturas adotadas no convívio social, pois esse isolamento pode acaba sendo prejudicial. Relacionar-se com pessoas diferentes e conhecer novos hábitos e culturas ajudam a não perder esse elo com a sociedade.

Para Andreia Roma, coach de carreiras e empresária, o modelo home office beneficia tanto a empresa, quanto o funcionário. “O estilo resulta em menos custos de transporte e alimentação para o empregador além de garantir mais segurança e menos estresse ao funcionário, provocado pelo trânsito das grandes cidades”, afirma Andreia. O modelo é uma forma de avaliar o rendimento do profissional, pois em um ambiente doméstico há muitas interferências, facilmente capazes de desviar o foco do trabalho, afirma.

Débora Nascimento, gerente do Instituto Capacitare, acredita que o profissional que trabalha em casa precisa ser mais organizado e atento para ter melhor rendimento e cumprir prazos. Ela ressalta que é importante que esse profissional conte com a colaboração dos outros membros da casa.

“É fundamental deixar claro para a secretária do lar e para a família, que ele está trabalhando, e precisa de silêncio, espaço e concentração”, orienta a gestora.

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