Mudanças não vão aumentar preços dos planos de saúde

ANS anunciou inclusão de 21 procedimentos, entre eles remédio contra câncer de próstata

Por O Dia

Rio - A inclusão de 21 novos procedimentos no rol obrigatório de cobertura mínima das operadoras de saúde em planos individuais e coletivos não vai representar reajuste imediato nas mensalidades. Os novos procedimentos foram anunciados na semana passada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e se juntarão aos 3.195 já existentes. Segundo o diretor-presidente da ANS, José Carlos Abrahão, o aumento só ocorrerá, se houver necessidade, a partir de 2017.

As mudanças%2C com a inclusão de 21 novos procedimentos%2C vão beneficiar 50%2C3 milhões de consumidores nos planos de assistência médicaDivulgação

“Durante todo o ano de 2016 a equipe técnica estará fazendo o acompanhamento da utilização das demandas que nós vamos ter e, a partir daí, quando chegarmos ao final de 2016, nós vamos avaliar se isso vai impactar dentro das mensalidades que serão apresentadas em 2017”, explicou.

A escolha dos procedimentos foi feita após consulta pública, que recebeu 6.338 contribuições, sendo 66% de consumidores, 12% de prestadores de serviços de saúde, 9% de representantes de operadoras de planos de saúde e o restante teve, entre outras, as contribuições de servidores.

A lista dos novos procedimentos inclui o medicamento Enzalutamida, usado no tratamento de câncer de próstata. Também estão no rol, o implante de desfibrilador multissítio TRC-D, usado para evitar a morte súbita em pacientes cardíacos; a aplicação de toxina botulínica para tratamento de hiperatividade vesical; o implante de prótese auditiva ancorada no osso para os casos de deficiências auditivas; e a ampliação de consultas com fonoaudiólogo, nutricionistas, fisioterapeutas e psicoterapeutas, entre outros.

Para as gestantes, as sessões de nutrição passaram de seis para 12. A gerente-geral de Regulação Assistencial da ANS, Raquel Lisboa, informou que a intenção é garantir um melhor processo de gestação e, com isso, incentivar o parto normal e adequado.

De acordo com dados da ANS, as mudanças vão beneficiar 50,3 milhões de consumidores nos planos de assistência médica, além de 21, 9 milhões de pessoas com planos exclusivamente odontológicos. Em 2000, os planos de assistência médica tinham 31,3 milhões de consumidores e 2,4 milhões nos planos odontológicos.

Individuais desaparecem

Os planos individuais estão sumindo do mercado. Os consumidores que buscam contratar um plano de saúde nesta modalidade estão tendo dificuldade de encontrar operadora que ofereça o serviço.

Segundo o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), a oferta de planos individuais é quase inexistente, e o que existe é monopolizado por poucas empresas, que cobram caro pelo serviço. Pesquisa realizada pelo Idec nas 27 capitais, no fim do primeiro semestre deste ano, identificou que em cinco delas (Belo Horizonte, Salvador, Macapá, São Luís e Vitória) o consumidor não tem qualquer opção de plano individual com cobertura completa (ambulatorial, hospitalar e obstetrícia).

Operadoras perdem 164 mil clientes

Alvo de constantes reclamações, os planos de saúde perderam 164,4 mil clientes em setembro, o que representa queda de 0,3% na comparação com o mesmo mês do ano anterior, segundo levantamento feito pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (Iess). O país soma 50,26 milhões de beneficiários.
No terceiro trimestre deste ano, a queda foi ainda mais acentuada, de 0,5% em relação ao trimestre anterior, o que representa a saída de 236,21 mil beneficiários. Os planos individuais apresentaram a maior queda entre as diferentes categorias – 1% dos clientes abandonaram os planos em setembro, na comparação com setembro de 2014.

Luiz Augusto Carneiro, superintendente-executivo do Iess, atribui os resultados ao agravamento da crise econômica, à queda do nível de emprego e aos efeitos sobre a renda das pessoas. “É possível que os beneficiários de planos coletivos por adesão, independentemente do momento de ingresso, tenham dificuldade para conseguir manter seus planos”, disse.

Na comparação anual, os planos coletivos empresariais registraram retração de 0,1% (saída de 47,3 mil beneficiários), enquanto os planos coletivos por adesão aumentaram de 0,6%, ou 39,7 mil novos vínculos. A estimativa do Iess é que o setor feche o ano em queda.

Últimas de _legado_Economia