Onze morrem em confrontos no primeiro dia de referendo no Egito

Polícia e Exército reprimem protestos com violência. Votação visa legitimar Constituição

Por O Dia

Cairo (Egito) - Confrontos entre manifestantes e a polícia deixaram 11 pessoas mortas e 28 feridas no primeiro dia de votação para referendar a Constituição do Egito. O objetivo a consulta é legitimar o poder dos militares que destituíram o presidente Mohammed Morsi em julho.

O confronto começou no início da manhã, quando partidários do ex-presidente tomaram as ruas e foram detidos pelo forte esquema de segurança preparado para a ocasião. Cento e sessenta mil soldados e mais de 200 mil policiais foram distribuídos pelo país, de 90 milhões de habitantes.Em algumas cidades, seguranças usaram gás lacrimogêneo para dispersar a multidão.

Uma bomba destruiu a fachada do Tribunal durante o primeiro dia de votação. Ninguém ficou feridoReuters

Momentos antes da abertura das urnas, por volta das 9h, um artefato explosivo foi detonado em frente a um tribunal na cidade do Cairo, capital do Egito. A explosão destruiu parte da fachada do prédio e quebrou janelas de imóveis vizinhos, mas ninguém ficou ferido.

Em Sohag, a polícia atirou contra um grupo de 300 manifestantes. Segundo os policiais, a atitude foi uma reação aos disparos de participantes do protesto. Se aceita, a nova Carta será importante para aumentar a influência militar no país, já que permitirá ao grupo que selecione seus próprios candidatos para o Ministério da Defesa por oito anos. E também permitiráque civis sejam julgados por tribunais militares.

Além disso, a Constituição proíbe partidos políticos que tenham a religião como base. O objetivo é tornar ilegal a Irmandade Muçulmana, o partido de Morsi. Além disso, dá às mulheres direitos iguais e protege as minorias cristãs. A votação será encerrada nesta quarta-feira.

Cidadã egípcia votando no novo texto constitucional nesta terça-feiraEfe

Duas tentativas frustradas

Já é a terceira vez que o Egito realiza uma consulta constitucional desde a deposição do presidente Hosni Mubarak, em 2011. Durante o processo, egípcios vêm se mostrando mais favoráveis a um regime democrático, votando a favor de reformas constitucionais em direção a um estilo de governo menos rígido.

Mas não se pode dizer esse desejo é da maioria, já que cerca de 60% da população não se manifestaram nas urnas. Agora, militares anseiam pela participação em massa da população para legitimar o golpe de Estado e o banimento da Irmandade Muçulmana nos próximos meses.

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