Jogos de Sochi 'desmascaram' opinião russa sobre os homossexuais, diz coletivo

Secretário-geral da Federação Estatal de Lésbicas, Gays, Transexuais e Bissexuais diz que população na Rússia é condenada por lei, perseguida, agredida e por vezes, assassinada

Por O Dia

Espanha - Os XXII Jogos Olímpicos de Inverno na cidade russa de Sochi abriram a porta ao coletivo de gays, lésbicas, bissexuais e transexuais para "desmascarar" a Rússia e revelar ao mundo a situação de "extrema" gravidade e "vulneração" dos direitos que sofrem estas minorias sexuais.

A Rússia foi muito criticada nos últimos tempos pela aprovação de um várias leis contra a propaganda homossexual e contra a adoção de crianças por parte de casais do mesmo sexo, explicaram à Agência Efe porta-vozes das organizações que representam este coletivo.

O secretário-geral da Federação Estatal de Lésbicas, Gays, Transexuais e Bissexuais (Felgtb), Jesús Generelo, relaciona a "vulneração" dos direitos humanos das pessoas homossexuais por parte do Governo russo com um aumento da "reação e solidariedade internacional" com este coletivo.

Desde que a cidade russa fora escolhida como sede dos Jogos Olímpicos de Inverno, a polêmica não deixou de estar presente e inclusive vários ativistas homossexuais e defensores dos direitos humanos pediram boicote à competição.

Tudo tem seu lado positivo e, apesar deste conflito, a realização dos Jogos de Inverno na Rússia está mostrando a problemática da população homossexual nesse país que, além de "ser condenada por lei, é perseguida, agredida e algumas pessoas são assassinadas", relata Generelo.

Por sua parte, o presidente da Confederação Espanhola de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais (Colegas), Paco Ramírez, aponta que graças aos Jogos de Inverno em Sochi "todo o mundo tem os olhos postos nos problemas de direitos humanos que existem na Rússia".

Nem todas as opiniões são contra o Governo russo e assim demonstram as declarações do presidente do site conservador "HazteOir", Ignacio Arsuaga, que considera que Putin está em seu "perfeito" direito de desenvolver políticas que protejam os direitos da infância, especialmente, o de toda criança a ter um pai e uma mãe.

"Queria que o Governo espanhol colocasse na frente dos privilégios do lobby homossexual os direitos das crianças", assinala Arsuaga, após afirmar que há um "interesse crescente" em qualificar de forma "ilícita" as políticas que protegem a família natural como "antihomossexuais".

O Google também fez eco nesta sexta-feira em sua página e lembrou, em um 'doodle' ilustrado com as cores do arco-íris, um artigo da carta olímpica. "Toda pessoa deve ter a possibilidade de praticar esporte sem discriminação de nenhum tipo e dentro do espírito olímpico, que exige compreensão mútua, solidariedade e espírito de amizade e 'fair play'".

"É muito positivo, muito importante e muito lindo que o Google se interesse pelas minorias sexuais pela influência internacional que tem", aponta Generelo.

O porta-bandeira espanhol, Javier Fernández, também avivou a polêmica em entrevista ao pedir aos homossexuais "que não participem" para evitar problemas com a legislação russa, uma frase perante a qual os coletivos expressaram rejeição.

Quem também gerou polêmica foi o presidente russo, Vladimir Putin, quando após dizer que todos os esportistas e torcedores seriam bem-vindos a Sochi, independentemente de sua nacionalidade, raça ou orientação sexual, pediu aos homossexuais que "por favor, deixem as crianças em paz".

Perante este tipo de afirmações, o secretário-geral da Felgbt sustenta que "tudo não foi conquistado", uma razão pela qual, em sua opinião, é preciso seguir defendendo os direitos dos homossexuais no mundo todo.


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