Editorial: A indigesta conta dos superferiados

Por caprichos do calendário, num intervalo de 20 dias boa parte dos fluminenses terá trabalhado apenas sete

Por O Dia

Rio - Por caprichos do calendário, num intervalo de 20 dias boa parte dos fluminenses terá trabalhado apenas sete. Culpa de incomum junção de feriados — Semana Santa e Tiradentes —, alimentada pela benevolência de deputados estaduais, que em 2008 inventaram a folga do 24 de abril. Mal passou o enforcamento histórico de sete dias, e já vem outro fim de semana prolongado, agora por causa do Dia do Trabalhador, quinta-feira que vem — com a sexta devidamente ignorada.

A FIRJAN todos os anos calcula a conta de tantos feriados. Este ano, o Estado do Rio vai perder R$ 5,5 bilhões com as paradas. O argumento de que as pausas favorecem o turismo é fraco — na Semana Santa, quase um quarto da rede hoteleira carioca ficou ociosa —, pois o movimento em um setor dificilmente compensa a interrupção em todos os outros. A exceção parece ser o Carnaval, quando praticamente toda a cidade vive em função da folia.

É oportuno ponderar por que num país laico como o Brasil há tanta necessidade de se parar tudo para fins religiosos e por que as as demais crenças praticamente não possuem dias exclusivos. Cassar todos os feriados traria mais revolta do que vantagens, mas nunca é demais lembrar que o país, com sua descomunal carga tributária, obriga cada cidadão a trabalhar 150 dias para quitar todos os impostos — fosse numa só tirada, incluindo fins de semana, a servidão terminaria em 29 de maio; obviamente avança muito mais com tantas paradas.

É o caso de se pensar duas vezes antes de propor novos feriados e de cogitar reduzir, com transferências, o prejuízo com enforcamentos infinitos.

Últimas de _legado_Opinião