José Paulo Martins Junior: Balanço do primeiro turno

A eleição presidencial de 2014 é a mais disputada desde 1989

Por O Dia

Rio - A eleição presidencial de 2014 é a mais disputada desde 1989. Naquela ocasião, Fernando Collor disparou nas pesquisas e, mesmo perdendo pontos ao longo de toda a campanha, passou com certa folga para o segundo turno. A corrida pela segunda vaga foi bastante acirrada. Diversos candidatos ensaiaram crescimento, mas na reta final a disputa ficou entre Lula e Brizola. O candidato do PT alcançou o segundo turno com apenas meio ponto de vantagem sobre o pedetista.

Em 2014, tudo indicava que teríamos mais uma edição da polarização entre PSDB e PT, que protagonizam a disputa desde 1994. Contudo, desta vez o imponderável mostrou toda sua força. É possível afirmar que sempre existe um fator de puro acaso no jogo democrático. Foi o que aconteceu nesta campanha: a morte de um dos candidatos alterou radicalmente a situação.

Eduardo Campos tinha índices bastante modestos de intenção de voto, a campanha na televisão ainda não havia começado, e ele era desconhecido pela maioria do eleitorado. Seu desaparecimento lançou à boca da cena a sua candidata a vice, Marina Silva. A nova candidata do PSB era largamente conhecida, disputou a eleição de 2010 com bom desempenho e antes da aliança com Campos obtinha índices de intenção de voto mais expressivos que o dele.

A assunção de Marina como cabeça de chapa e a comoção provocada pela morte de Campos catapultaram as intenções de voto do PSB, que em poucos dias encostou em Dilma, deixou Aécio para trás e mostrou ser capaz de vencer a disputa em segundo turno.

Rapidamente, as candidaturas do PT e PSDB se movimentaram para não perder o protagonismo e atacaram as incongruências e fragilidades de Marina Silva. A estratégia surtiu efeito. Marina chegou a empatar com Dilma no final de agosto, e Aécio conheceu seu piso no mesmo momento.

De lá para cá, a candidatura de Marina desidratou a cada rodada de pesquisas, e a de Aécio se recuperou. Neste ponto que a disputa atual se assemelha à de 1989. Dilma está assegurada no segundo turno, mas seu adversário ainda é uma incógnita. Marina aparece à frente, mas as curvas de intenção de voto indicam que ela pode ser ultrapassada. Além disso, a estrutura partidária do PSDB e de seus aliados é muito mais robusta que a do PSB. Tudo pode acontecer em 5 de outubro. A sorte dos candidatos está lançada, façam suas apostas.

José Paulo Martins Junior é coordenador do curso de Bacharelado em Ciência Política da Unirio

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