Maria Lucia Horta Jardim: Proteger as crianças

Ter um filho, sobrinho ou neto desaparecido é dor inimaginável. Cada criança encontrada representa uma vitória e o fim de uma tortura

Por O Dia

Rio - Cerca de 40 mil crianças e adolescentes desaparecem no Brasil a cada ano. Tive acesso a esse número assombroso numa visita que fiz à Fundação para a Infância e Adolescência, vinculada à Secretaria Estadual de Assistência Social e Direitos Humanos, ano passado, para conhecer o trabalho do SOS Crianças Desaparecidas. Boa parte desses meninos e meninas some sem deixar pistas. Tantos outros fogem de casa porque são vítimas de violência doméstica.

A despeito de avanços conquistados, milhares de famílias ainda convivem com a ferida do desaparecimento. Os últimos dias de março foram marcados pela Semana de Mobilização Nacional para Busca e Defesa da Criança Desaparecida, que acontece todo ano em complemento à Lei da Busca Imediata. A data não é para ser comemorada, mas é fundamental para despertar em pais e mães a esperança de reencontrar os filhos. Para nós, sociedade e poder público, representa momento de reflexão, oportunidade de aprimorar estratégias e discutir formas de lidar com o problema.

O SOS Crianças Desaparecidas conseguiu localizar 2.826 crianças, quase 85% dos casos nos últimos 19 anos. Porém, precisamos escrever um final feliz para outras 500 ainda desaparecidas em todo o estado.
Em julho, lançamos o Novo Cidadão, que permite que os pais de recém-nascidos recebam a certidão de nascimento e a carteira de identidade de seus filhos ainda na maternidade. Mais de 6.500 documentos foram emitidos neste período em sete maternidades que já disponibilizam o serviço. A meta é estender o programa para todos os municípios do estado e, assim, conscientizar a população da necessidade de identificar as crianças como forma de prevenção. Contamos também com outro precioso equipamento: a Delegacia de Descobertas de Paradeiro, que investiga casos de desaparecidos. Já foram solucionados 72% dos 149 registros desde a inauguração da unidade, em setembro.

Essa luta não pode parar. Ter um filho, sobrinho ou neto desaparecido é dor inimaginável. Cada criança encontrada representa uma vitória e o fim de uma tortura. Queremos nossos meninos e meninas brincando, sendo amados, vivendo fantasias. Para isso, precisamos proteger as nossas crianças.

?Maria Lucia Horta Jardim é presidenta do RioSolidario

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