Editorial: Ferramentas e mentalidades no futebol

poucos dias do fim do prazo — e ironicamente na véspera do primeiro aniversário do 7 a 1 sofrido pela Seleção para a Alemanha —, a Câmara aprovou a MP do Futebol

Por O Dia

Rio - A poucos dias do fim do prazo — e ironicamente na véspera do primeiro aniversário do 7 a 1 sofrido pela Seleção para a Alemanha —, a Câmara dos Deputados aprovou a MP do Futebol. Editada em março pela presidenta Dilma, a medida provisória estipula condições, obrigações e facilidades para sanar as dívidas dos clubes brasileiros, hoje estimadas em R$ 4 bilhões. O texto segue para o Senado, que tem uma semana para votá-lo e devolvê-lo ao Planalto.

Da plena aprovação da MP 671 à tomada de decisões que efetivamente mudem o futebol brasileiro vai uma longa distância. Prova disso são as alucinações dos dirigentes e técnicos mais poderosos, convocados pela CBF para um convescote em que se propôs discutir a goleada. Um dos coordenadores não vê razão para buscar ajuda estrangeira. O técnico acredita que a derrota de um ano atrás foi algo “positivo” — como talvez tenha o sido a eliminação na Copa América, semana passada.

Como este espaço já destacou, o endividamento dos clubes tem efeito perverso no futebol brasileiro como um todo — e reportagem especial no Ataque de hoje retoma os pontos desse argumento. A MP trabalha para reduzir esse impacto ao condicionar o refinanciamento ao cumprimento dos direitos dos atletas, como o pagamento de salários, e à adoção incondicional de transparência nas finanças. Com a saúde do caixa em dia, é possível formar talentos e principalmente segurá-los.

Mas nem sempre o dinheiro muda mentalidades. De nada adiantarão ferramentas se os cabeças do futebol continuarem, do alto de seus saltos, crendo piamente que está tudo bem, que o Brasil ainda é a pátria de chuteiras e que o pentacampeonato é marca inatingível. O penta é passado. É necessário mudar o presente para haver um futuro vitorioso.

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