Milton Cunha: Samba in Rio, sonho de Babi

Samba in Rio nasceu de um sonho que valeu a pena ser sonhado: o carioca merecia

Por O Dia

Rio - Avalanche de estrelas : Beth Carvalho tinha sido o máximo, cai no teu colo uma Maria Rita deslumbrante. Alexandre Pires já tinha arrasado, entra Dudu Nobre. Sai Alcione e seu sublime momento de homenagem a Emílio Santiago, aparece Fafá de Belém e o Círio de Nazaré. Martinho da Vila canta Kizomba, e Fundo de Quintal arremata. Chama Preta Gil e seu Bloco, depois passa a bola para o Cordão da Bola Preta. Cris Viana e Gasparetti, imbatíveis no palco.

Chega! Não vou enumerar todos, tudo, tanto. Me recuso, pois perco o fôlego. Distribuam navalhas para que todos cortem seus pulsos. Acho que máscaras de oxigênio cairão automaticamente em cima de todo mundo, pois Babi Cruz, a louca/sã, conseguiu colocar de pé seu sonho de nove anos. Sonhar não custa nada. Dívidas, como não tê-las? Pois há um algo que sobra, que não há cartão de crédito, promissória ou cheque que pague: ela fez, realizou, empreendeu. E o maravilhoso foi que toda a família trabalhou: o marido, Arlindo, ficava na saída do palco, agradecendo a cada um. O filho Arlindinho foi incansável, como artista e anfitrião. E Flora, o que é a pequena grande Flora? Porta-bandeira da Tijuquinha do Borel, largou o mastro e virou produtora, ao lado de Kelly e Valéria, as leoas. Chegava a dar medo, pois as feras se deslocavam em bando, só resolvendo coisas, aparando arestas.

E o sol inclemente nos cozinhando lentamente. Portões abriam a uma da tarde e eu já vestido de galinha emplumada. O concreto da Sapucaí todo disfarçado em coloridas franjas de metaloide que, balançados ao vento, davam um aspecto mágico e carnavalizado para a imensidão. A glória de saber que o divino Tulio Feliciano era o diretor artístico, conduzindo com mão firme tantos egos e repertórios. Canso só de lembrar, felicíssimo. Pois a capital mundial da Escola de Samba e do Samba não podia só ter Rock in Rio ou Lolapalooza ou Back to Black. O povo merecia e merece sempre mais samba. E o prefeito Eduardo Paes, graças a Deus, caiu dentro e viabilizou o balacobaco. Vai melhorar, claro, nas próximas edições. Mas quando tudo se acertar, aquela lágrima de canto de olho vai brotar nos olhos de cada um de nós, que, insanos, estávamos lá dando nosso quinhão de força e trabalho para o primeiro. Como se realizam sonhos? Cada um dá uma piscadela e as rendas do tempo vão decorando a imaginação.

Em seu delírio, Babi não quis um palco de tela ortofônica preta, tão triste e distante da cor sambista. Bancou, pagou o preço e ergueu seu castelo de bonecos e fantasia. A menina brincou de empresária e, triunfante, desfilou por entre hordas de bandas, músicos e apetrechos, guerreira mulher manipulando a santa espada de Yansã. Parabéns, é Samba in Rio, bebê!

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