João Tancredo: Somos todos iguais, mas nos tratamos diferentes

Atriz Taís Araújo se posicionou de forma corajosa e determinada, não abrindo mão dos seus direitos

Por O Dia

Rio - A atitude da atriz Taís Araújo não deve ficar apenas nas manchetes e depois ser arquivada pura e simplesmente. Indignada com as ofensas descabíveis e insensatas direcionadas à sua pessoa nas redes sociais, ela se posicionou de forma corajosa e determinada, não abrindo mão dos seus direitos. Penso que ela poderia ter até ido além, pois atitudes como essas já ultrapassaram todos os limites. O principal exemplo da atriz é não deixar por menos uma atitude racista e deve ser seguido por todos aqueles que sofrem com atitudes preconceituosas.

É inadmissível que esses episódios ainda aconteçam de forma corriqueira e muitas vezes velada, camuflada. Lamentavelmente alguns utilizam a possibilidade que as redes sociais oferecem para ofender sob anonimato. No entanto, não é mais bem assim, pois há vários meios de chegar a esses ofensores, desvendando suas identidades e buscando as devidas medidas para que respondam pelos seus atos.
Vale ressaltar que, embora a atriz esteja se mobilizando, prestando depoimento e colaborando com as investigações — que aparentemente envolvem cerca de 30 pessoas —, definitivamente esses fatos devem ter ainda mais visibilidade.

O ideal é que cada canal de comunicação e cada cidadão compartilhe a notícia, provocando indignação viral, encorajando outras pessoas que tenham passado por isso a denunciar e revelar o ato e seu ator.
Casos como o de Taís acontecem constantemente na mídia e fora dela. No ano passado, em um jogo entre Grêmio e Santos, o goleiro Aranha, do time santista, foi chamado de “macaco” por uma torcedora gremista, enquanto outros torcedores emitiam um som parecido com o do animal. O caso encerrou com a punição da equipe tricolor gaúcha, que foi eliminada da competição nacional por conta das atitudes racistas da torcida.

Há pouco tempo, o jogador Daniel Alves também sofreu ato de discriminação ao ser atingido por uma banana em campo. O amigo e ídolo brasileiro Neymar postou na internet a frase “Somos todos macacos” para apoiá-lo e referenciar que somos todos iguais. Mas não conseguiremos essa igualdade enquanto nos acharmos superiores, tratando o nosso semelhante de forma diferente.

João Tancredo é advogado especializado em Respons. Civil

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