Eduardo Alves: Começar o ano rompendo sinônimos aparentes

A tal crise dos hospitais, que lotou os noticiários de fim de ano, trouxe, na contramão, o tema da saúde

Por O Dia

Rio - O que está reservado para nós? Somente um ano de eleições municipais e Olimpíada? Quero mais! O mais importante na cidade são as pessoas; o mais importante para as pessoas é a vida; conquistar mais políticas em defesa da vida é o mais importante para 2016. Apresento, para iniciar a prosa, a seguinte sugestão: romper com sinônimos aparentes. Segurança não é sinônimo de polícia. Trabalho não é sinônimo de renda. Saúde não é sinônimo de hospital. Mobilidade não é sinônimo de transporte. Público não é sinônimo de Estado, e por aí vai. Vamos começar com dois desses.

Nova York foi a primeira cidade do mundo a ficar toda iluminada, em 1882. A criação dessa tecnologia, na época, já era parte da busca por segurança. Hoje, com tecnologia de sobra, para que a cidade fique iluminada, torço para que se aposte nisso no novo ano. Esse é um investimento que não pode faltar para a segurança. Portanto, ela começa na cidade, com praças acolhedoras, ruas lotadas de pessoas, festas, celebrações e, é claro, muita iluminação para que tudo ocorra com respeito. A presença das pessoas nas ruas, nos encontros democráticos, demanda iluminação, o que, por sua vez, nos traz sentimento de segurança. Apostar em uma cidade lotada de polícia é o contrário: sintoma da insegurança.

A tal crise dos hospitais, que lotou os noticiários de fim de ano, trouxe, na contramão, o tema da saúde. Fato que deveria chamar atenção para a predominância das ‘doenças’. Pessoas que ficam horas em transporte, água potável que não chega, saneamento básico que ainda não ocupou todos os poros da cidade: faltam investimentos em Saúde. Precisa-se conquistar um meio ambiente que amplie a vida, apostando em agriculturas sem agrotóxico, com uma economia sustentável, voltada para as pessoas e não para tantos ajustes fiscais e lucros intermináveis. Hospitais são insuficientes porque a saúde é frágil. Para ter saúde são necessárias políticas públicas de prevenção. Infelizmente parte significativa dos condutores do Estado — nas três esferas — não prioriza o público. Mas isso é assunto para uma prosa futura.

Aproveito para desejar um ótimo início para esse ano de 2016: mais saúde, mais felicidade, mais sorrisos, mais segurança e mais humanidade!

Eduardo Alves é sociólogo e diretor do Observatório de Favelas

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