Célio Lupparelli: A crise de prioridades na ‘Cidade Olímpica’

A paz que queremos nunca existirá sem Educação de verdade

Por O Dia

Rio - Vivemos uma crise de prioridades. Em meio a tantas propostas que aprovamos na Câmara com vistas aos Jogos Olímpicos, o Plano Municipal de Educação nem sequer chegou à Casa para ser votado. Fiz parte da Comissão Coordenadora do Plano, que trabalhou para adequá-lo ao Plano Nacional de Educação. O prazo para que ele fosse enviado pela prefeitura à Câmara terminou em 24 de junho, um atraso de seis meses. Aliás, atraso é palavra comum no que diz respeito à Educação.

A perda do prazo ameaça a transferência de recursos para o município, gerando angústia nos educadores, que já sofrem, há anos, com o descaso em investimentos nos salários e na estrutura das unidades de ensino. Que cidade olímpica é essa, com obras de ponta a ponta, onde a Educação nunca fica em primeiro plano? Entrei com representação no Ministério Público pedindo investigação da quebra do prazo pela prefeitura. Prazo que é estabelecido por lei federal.

No estado, a crise de prioridades pode afetar o novo ano letivo. Segundo matéria publicada neste jornal, os professores do estado ameaçam não iniciar o ano letivo, se salários e o 13º não estiverem em dia. A merenda começou a faltar no fim de novembro. Arroz, feijão, proteína e salada saíram do cardápio dando lugar a biscoito, bolo e refresco, itens mais baratos. Segundo a Secretaria Estadual de Educação, por causa da “baixa arrecadação”.

Em condições adversas, os alunos também não se sentem atraídos a permanecer na escola. Uma unidade que não ofereça condições mínimas para a transmissão do conhecimento não cumpre seu papel. A escola deve ser um espaço de prazer para alunos, professores e demais agentes da Educação. Isto passa pela estrutura do prédio, pelo material didático-pedagógico e pela sinergia que deve ocorrer entre todos os membros da comunidade escolar, incluindo os pais ou responsáveis. Na escola em que os alunos e os professores estão satisfeitos, o rendimento é melhor.

Mas nada disto é possível sem que os governantes entendam que Educação é prioridade. Não é por acaso que as cinco piores escolas do estado, no último ranking do Enem, estão na rede pública. A paz que queremos nunca existirá sem Educação de verdade. Violência se combate em bancos escolares de qualidade.

Célio Lupparelli é vereador pelo DEM

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