PM é acuada por manifestantes

Grupo permanece em frente à Alerj. Segundo andar da casa foi ocupado e manifestante ficou ferido. Pelo menos 20 PMs foram atingidos

Por O Dia

Rio - Policiais militares foram acuados por um grupo de manifestantes em frente à Assembleia Legislativa do Rio, na noite desta segunda-feira. Os PMs chegaram ao local pelas ruas laterais e, rapidamente, o grupo os cercou e gritando as palavras "resistir!", obrigou a recuada do batalhão. No segundo andar da Alerj, um princípio de incêndio foi causado por um coquetel molotov, mas já foi controlado.

Manifestantes pegaram de táxi e jogaram no fogoAthos Moura / Agência O Dia

Em seguida, os manifestantes ocuparam novamente as escadarias da Alerj e pediram que os policiais que estão dentro da casa saíssem em paz. "Sem violência, deixem os policiais saírem em paz", bradaram. 

Bombeiros chegaram aplaudidos no local e tentaram entrar na Assembleia, mas acabaram recuando, já que a segurança dos PMs não foi garantida. Os manifestantes temem que um agente infiltrado arremesse pedras contra os policiais e provoque outro conflito generalizado.

Rapaz ficou ferido no braçoAthos Moura / Agência O Dia

Cléverson Oliveira, 21 anos, foi atingido no braço direito e foi atendido por estudantes de medicina da Universidade Federal Fluminense (UFF) que o levaram para o Hospital Municipal Souza Aguiar, também, no Centro, aos gritos de "guerreiro!". Ainda não se sabe se o ferimento foi provocado por tiro ou corte.

Ícaro Oliveira Andrade, 19 anos, foi ferido por uma pedrada na cabeça. "Estava em frente a Alerj. Pedimos para pararem, mas uma pessoa de dentro da Alerj arremesou uma pedra que acertou minha cabeça, vinda da janela. Não vou desistir de lutar, vamos continuar com o movimento", afirmou

No momento, cerca de 200 manifestantes que estavam na frente do local foram dispersados por bomba de efeito moral e fumaça disparadas pelo Batalhão de Choque (BPChq) que chegou ao local.

O Paço Imperial está pichado com palavras "Vergonha. 2,95. Fora Cabral!".

Manifestação acabou em corre-corre

A manifestação contra o aumento da passagem de ônibus, entre outras demandas sociais, acabou em corre-corre e confusão. Um grupo de manifestantes tentou entrar na Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj) e a Polícia Militar reagiu com bombas de gás e efeito moral.

Um carro chegou a ser virado e incendiado. A confusão começou no momento em que um manifestante tentou abrir um carro da polícia. PMs do Serviço Reservado (P2) prenderam o rapaz

Quando a maior parte de pessoas presentes ao protesto já havia ido embora, um pequeno grupo persistiu no local e reuniu correntes e pedras para tentar invadir a Alerj uma segunda vez. Alguns jogaram coquetéis molotov na entrada do local e policiais responderam com bombas de gás.

Manifestantes tentam invadir a AlerjErnesto Carriço / Agência O Dia

Os participantes acenderam uma fogueira em frente ao local e depredaram dois restaurantes próximos. Eles ainda discutiram entre si, quando um grupo queria derrubar uma banca e outro impediu, afirmando que o dono seria trabalhador. Uma cabine de táxi foi lançada na fogueira e parte do grupo arrombou um caixa eletrônico.

Manifestantes invadiram uma agência bancária na Rua da Assembleia e pegaram móveis e computadores para aumentar o fogo. Anteriormente, eles chegaram a jogar pedras na janela da Alerj. Parte deles depredou carros, queimou montes de lixo e entrou em confronto com os PMs. Um segurança da casa informou que há funcionários e policiais feridos no local e que o socorro não consegue chegar na Alerj por conta da ocupação das vias.

Manifestantes marcharam contra aumento de ônibusFernando Souza / Agência O Dia

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública informou que 20 policiais militares do 5ºBPM (Prala da Harmonia) foram feridos. Manifestantes também alegam que há feridos ao lado de fora. O soldado Martins, que faz a segurança na porta da casa, pediu que os participantes não invadissem o local.

"Trabalho no Alemão e nunca vi uma situação tão tensa. Queria pedir pra ninguém entrar aqui. To do lado de vocês, mas alguns passaram do limite. Nunca vi nada igual", contou o PM.

PM apoia manifestação

"Estaria tudo bem se estivéssemos lá, junto com eles". A frase, dita por um policial militar do 5º BPM (Praça da Harmonia) reafirma o caráter pacífico da manifestação contra o aumento da tarifa dos ônibus na cidade. "Sabemos que eles estão certos, mas temos que ficar aqui fardados, cumprindo o nosso papel", revelou outro PM, que não quis se identificar. A estimativa é que as ruas do Centro do Rio foram ocupadas por até 130 mil pessoas.

Um grupo de punks queimou a bandeira do Brasil e foi reprimido pelos manifestantes, o que gerou um rápido bate-boca, sem violência. Quando os manifestantes chegaram nos arredores da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) houve registro de confusão. Um grupo tentou invadir a Alerj e os policiais reprimiram com tiros de borracha e bombas de efeito moral.

Nova manifestação popular reúne milhares de pessoas no Centro do RioErnesto Carriço / Agência O Dia

Avenida Presidente Antonio Carlos foi completamente interditada ao tráfego. A Avenida Rio Branco, a Araújo Porto Alegre e a pista lateral da Presidente Vargas, sentido Candelária, a partir da Avenida Passos, também ficaram fechadas.

Em nota, a Prefeitura do Rio informou que apoia o protesto e está disposta a dialogar com os manifestantes. O Governo do Estado não quis se pronunciar.

Marcha de branco

A exemplo da manifestação de quinta-feira, populares nos prédios jogam papel picado em apoio ao protesto e os manifestantes pedem a paricipação coletiva. Na maioria dos edifícios ao longo do trajeto, os presentes nos apartamentos piscaram luzes aderindo ao movimento. Alguns motoristas participam de buzinaço como forma de apoio à mobilização.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública, policiais do Batalhão de Choque (BPChq) estão de prontidão nos quartéis. Um grupo de jovens na dianteira do protesto exibe a constituição aos policiais e grita palavras de ordem.

Estudantes de medicina estão oferecendo assistência médica para quem precisar no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) e no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB).

Apoio de grupo dos Bombeiros

O grupo S.O.S. Bombeiros, que participou do movimento de greve na corporação em 2011, declarou apoio à manifestação contra o aumento das passagens de ônibus na cidade.

Em comunicado no site, eles pedem comparecimento maciço de colegas e policiais às escadarias da Assemebleia Legislativa do Rio, por onde os manifestantes devem passar na noite desta segunda-feira.

Grupo de bombeiros informa em site que se juntará à manifestação contra aumento das passagens de ônibusReprodução Internet

"O gigante acordou! O que muitos não enxergavam na época que "meia dúzia" de Bombeiros gritavam nas ruas, estão vivenciando agora. A sociedade está cada vez mais consciente, organizada e disposta a lutar por direitos! O fim do marasmo nos movimentos sociais em nosso país se deu com início do nosso movimento em 2011, que visa a dignidade de todos!", diz trecho do documento.

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