Guardas municipais em greve fazem manifestação na Cidade Nova

Agentes marcaram assembleia para a próxima sexta-feira, para decidir se paralisação terá tempo intederminado

Por O Dia

Rio - Cerca de 600 guardas municipais que aderiram à paralisação de advertência de 24 horas, iniciada à meia-noite desta sexta-feira, fizeram uma manifestação de manhã. Eles caminharam da Avenida Pedro II, atrás da estação Leopoldina, até ao prédio do Comitê Olímpico, nos fundos da Prefeitura, na Cidade Nova. Antes, tentaram ser recebidos pelo prefeito Eduardo Paes, mas não conseguiram.

A categoria, que marcou para a próxima sexta-feira, às 20h, uma assembleia na Central do Brasil para decidir se entra em greve por tempo indeterminado ou não, fez uma série de reivindicações, entre elas, o uso de armas letais, melhores condições de trabalho e reajuste salarial.

Cerca de 600 agentes protestaram em frente à Prefeitura do RioEstefan Radovicz / Agência O Dia

A principal reivindicação da categoria é o cumprimento da lei 13022/14, sancionada em agosto pela presidente Dilma Rousseff e que institui normais gerais para as guardas municipais, explicou o advogado do sindicato dos guardas municipais, Frederico Sanz. “Essa é uma lei federal. Não tem que esperar o prazo de dois anos para dar cumprimento a essa lei. Queremos que seja implementado de imediato o curso de formação para preparar os guardas municipais a usarem armas letais e poderem, então, defender a sociedade no combate a qualquer flagrante delito”, disse o advogado.

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Auxiliado por um carro de som, o líder do Movimento Frente Manifestante da guarda municipal, Jones Moura, pedia ao prefeito Eduardo Paes para que ele não tapasse os ouvidos para a categoria. “Nós queremos cumprir o nosso papel legítimo que é previsto na lei. Mas o prefeito insiste em ser intransigente e em não nos escutar”. Jones reafirmou que a manifestação era para que o guarda tenha condições de trabalhar nas ruas com segurança. “Hoje, nós trabalhamos portando um pedaço de pau, um cassetete, e estamos sendo agredidos, levando facadas nas costas, soco na cara. Não podemos trabalhar na rua como se ele fôssemos escoteiros”.

Aos berros, o líder anunciava que a categoria não é formada por fiscais do comércio ambulante e informava que a Prefeitura do Rio tem funcionários concursados, ganhando muito mais que os R$ 1.200,00, que é o salário médio de um guarda municipal, para cumprir este papel. “Nós não queremos mais ser desviados de função e não queremos um salário de vergonha”, repetia, antes de informar que categoria retorna ao trabalho neste sábado para garantir uma eleição tranquila.

Por e-mail, a assessoria de imprensa da Guarda Municipal informou que não houve qualquer alteração em sua rotina operacional, com a presença normal de guardas em todas as suas unidades e que qualquer ato de indisciplina será considerado falta grave e o agente que a cometer estará sujeito a demissão.

“O ato promovido causa estranheza, uma vez que a GM-Rio não recebera solicitação por parte do Sindicato para debater acerca de nenhuma proposta. E considera este um movimento isolado, a fim de pressionar a Instituição a respeito do uso de armas de fogo. Para isso, pedem o cumprimento integral da Lei Federal 13.022 / 2014, que, inclusive, está sofrendo ação direta de inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal. Porém, a cidade do Rio de Janeiro já fez sua opção em não utilizar armas de fogo, e isto não será mudado”.

Ainda de acordo com a assessoria, as reivindicações do grupo também não têm qualquer fundamento, uma vez que todos os pontos levantados pelo movimento são ações prioritárias deste comando, com investimentos e ações concretas já realizadas nos últimos dois anos.

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