Sebastiana promove debates para organizar folia dos blocos em 2015

'Desenrolando a Serpentina', evento com mesas de debate sobre profissionalização e organização dos blocos na cidade

Por O Dia

Rio - N época do Rio Antigo, um célebre cronista aventurava-se em meio a um cordão carnavalesco. “Era em plena Rua do Ouvidor. Não se podia andar. A multidão apertava-se, sufocada”, escreveu João do Rio. Mais de cem anos depois, a cena poderia descrever os últimos carnavais, mas a festa cresceu tanto que se fez necessário um debate sobre organização.

Pelo sétimo ano consecutivo, a Sebastiana (Associação Independente de Blocos de Carnaval de Rua da Zona Sul, Santa Teresa e Centro da Cidade do Rio) promove o ‘Desenrolando a Serpentina’, evento com mesas de debate sobre profissionalização e organização dos blocos na cidade. Estarão presentes figuras ilustres do samba, estudiosos, representantes da prefeitura e interessados no tema.

Preservar as tradições do Carnaval é um dos principais objetivosDivulgação

Desde a primeira edição, questões como o número de banheiros químicos, horário de saída dos blocos e a disposição dos cordões pela cidade são ‘desenroladas’ durante os debates. Porém, além de toda a logística, a preservação da identidade e perspectivas para o futuro do Carnaval de rua também são discutidos.

Serão dois dias (segunda e terça-feira) de evento, na garagem do Planetário da Gávea. Em celebração aos 450 anos da cidade, amanhã o sambista Nei Lopes comanda um show de marchinhas, com uma retrospectiva da história do Carnaval de rua. Já na terça-feira, uma roda de samba homenageará os blocos mais tradicionais da cidade, como Cacique de Ramos e Bola Preta.

O sambista Nei Lopes, um estudioso respeitado do tema, disse que serão discutidos os efeitos dos anos de chumbo, que durante décadas pesaram sobre a atmosfera da folia. “O Carnaval sempre foi forte, mas ficou sufocado durante a ditadura. Com o fim desse período, voltou a ter força, e os blocos vêm se organizando para preservar a essência”, disse. “A gente está contando essa história e fazendo um luto a respeito desse período de repressão.”

Presidenta da Sebastiana, Rita Fernandes convidou o público a participar da conversa. “O folião tem muito a dizer. É sempre um olhar novo, que acrescenta”, disse. “Precisamos discutir como fazer uma festa menos prejudicial para a cidade e também não deixar com que o Carnaval vire um evento muito comercial e perca a tradição”.

Simpatia é Quase Amor%2C em Ipanema. A mais organização para os foliõesDivulgação

?Os temas em discussão

?O evento ‘Desenrolando a Serpentina’ tem entrada gratuita e começa às 18h de amanhã, com uma abertura sobre os ‘450 Anos de Carnaval de Rua’, e, às 20h, o show ‘Desde que o samba é samba’, com Nei Lopes, Luiza Dionizio e Moyseis Marques.

Na terça- feira, a primeira mesa de debates será às 14h, sobre ‘A estreita relação do Carnaval de Rua com a cidade do Rio de Janeiro ao longo do tempo. Blocos de rua e identidade carioca’. Às 16h, a conversa será sobre a pluralidade de ritmos no Carnaval de rua, e, às 18h, acontece o último debate, intitulado ‘O que será o amanhã?’. Uma roda de samba com o Quinteto Cacique e convidados encerra a programação.

Tema do penúltimo debate de terça-feira, a pluralidade de ritmos musicais tocados pelos blocos de rua será um dos assuntos de maior importância durante o evento, segundo o presidente do bloco Simpatia é Quase Amor. “Carnaval com Preta Gil, Beatles e Wando. É isso mesmo? Eu não consigo me esbaldar com esses ritmos, mas se faz sucesso entre os foliões a gente não pode ser contra”, disse Dodô Brandão. Ele também elogiou a iniciativa: “Foi fundamental porque o poder público sentou na mesa com a gente. Eles reclamam e a gente também se manifesta.”

?Reportagem de Lucas Gayoso

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