PM admite ter atirado contra jovens em operação na Palmeirinha

Um menor de 15 anos morreu e outro jovem ficou ferido; delegada ouvirá pai de vítima nesta terça-feira

Por O Dia

Jovem mostra curativo de ferimento provocado por bala em dia de operação da PM na PalmeirinhaSeverino Silva / Agência O Dia

Rio - Dos nove PMs suspeitos de matarem o adolescente Alan Souza Lima, de 15 anos - e atingirem outro -, em operação na favela da Palmeirinha, em Honório Gurgel, no dia 20 de fevereiro, apenas o sargento Ricardo Wagner Gomes admitiu ter efetuado disparos contra os jovens. Segundo a polícia, a afirmação foi feita em depoimento na 30ª DP (Marechal Hermes), na tarde desta segunda-feira. A arma de Gomes, um fuzil 556, foi recolhida e enviada para perícia. Os outros policiais negaram participação no crime.

O soldado Allan de Lima Monteiro, que estava com o PM Ricardo na mesma viatura, negou ter atirado, assim como o sargento Carlos Eduardo Alves, que dirigia o veículo. Alves disse que apenas ouviu os tiros, mas não viu as vítimas sendo atingidas.

Ainda de acordo com a polícia, a delegada Adriana Belém fará uma reconstituição do caso, mas ainda não há data marcada. Nesta terça-feira, a polícia ouvirá o pai de Alan.

Segundo a versão dos PMs, eles entraram na Palmeirinha, no dia 20, em três equipes divididas em duas viaturas e um blindado. Por meio de seu advogado, Renato Martins, o tentente Paulo Rodolfo, alegou que não participou do tiroteio. Ele estaria com uma equipe em outro ponto da comunidade. "Paulo não participou efetivamente da troca de tiros. Quando ele chegou ao local (do crime), ele viu apenas o jovem (Alan) sendo socorrido e uma viatura", declarou a defesa.

Jovem filmou seus últimos minutos de vida

O jovem Chauan Jambre Cezário, de 19 anos, que estava com a Alan também foi baelado. Eles chegaram a filmar parte da operação da PM na comunidade, até o momento em que foram atingidos. Chauan levou um tiro no peito, mas conseguiu sobreviver. No dia, a PM alegou que os jovens estavam no meio do confronto e acabaram sendo baleados. No entanto, o vídeo gravado por eles e os próprios relatos das testemunhas desmentem a versão dos policiais.

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As imagens gravadas no celular de Alan mostram os seus dois amigos em uma bicicleta e o momento em que eles ouvem tiros e começam a correr. A gravação chegou a registrar ainda eles caídos no chão, depois de serem baleados, e os gemidos das vítimas.

Na última quinta-feira, Chauan Jambre Cezário prestou depoimento na 30ª DP (Marechal Hermes). "Nasci de novo. O maior presente que eu ganhei é a vida. Sobrevivi a um tiro próximo do coração. Marquei de chamar os amigos para comemorar num sítio meu aniversário", disse Chauan, que completou 20 anos no último sábado.

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