Chefão da Seap pede pra sair

Coronel PM César Rubens deixa a Secretaria de Administração Penitenciária após oito anos

Por O Dia

Rio -  A falta de força política para resolver problemas financeiros e o fato de estar enfraquecido pela investigação do Ministério Público por enriquecimento ilícito levaram, nesta quinta-feira, o coronel César Rubens Monteiro de Carvalho a pedir para sair da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap). Uma reunião com o governador Luiz Fernando Pezão selou o afastamento do secretário, que estava no poder desde janeiro de 2007. Ele será substituído por outro oficial: o coronel Erir Ribeiro da Costa Filho, ex-comandante da PM.

César Rubens (à esq.) ficou enfraquecido após denúncias do DIA. Em seu lugar%2C assume hoje Erir RibeiroRafael Wallace e Carlo Wrede

O processo de saída do coronel César Rubens começou no mês passado, quando o governo decidiu conversar com os fornecedores do estado e pediu para adiar algumas faturas vencidas. Mas deixou de fora somente os empresários responsáveis por servir as refeições dos 30 mil detentos do Rio. Dívidas que alcançam os R$ 60 milhões e que já começaram a provocar restrição no cardápio — algo capaz de colocar fogo na relação com os presos e tumultuar o cárcere. Mas complicado ainda é que faltava até papel ofício para fazer a Seap funcionar.

Pior: recentemente, o agora ex-secretário soube que o governo pediu informações ao Ministério Público sobre a ação que apura se o militar enriqueceu ilicitamente desde que assumiu o cargo público. Queria detalhes da investigação e saber quais as complicações jurídicas para César Rubens.

Como O DIA noticiou em dezembro, o oficial da PM, desde que sentou na cadeira de secretário, fez seu patrimônio pessoal multiplicar por dez e dividia o tempo entre a Seap e seus afazeres particulares: era sócio de duas empresas privadas e mantinha atividade remunerada extra como consultor no Estaleiro Mac Laren Oil.

O que era caótico ficou insuportável na semana passada, quando a Alerj aprovou a lei dos deputados Marcelo Freixo (Psol) e Jorge Picciani (PMDB), proibindo a revista íntima na cadeia. Como a estrutura para scanner pessoal dos visitante é insuficiente, César Rubens se queixou aos auxiliares de que a determinação faria a Seap virar um ‘queijo suíço’.

Contrariando as suas próprias orientações anteriores, ele determinou que a lei fosse implementada antes mesmo de ser sancionada pelo governador. Era o sinal de que esticava a corda e foi para a conversa com Pezão decidido a sair da Seap. O governador aceitou, sem problemas, e nem demorou a escolher o substituto: o coronel Erir Ribeiro já assume hoje a secretaria.

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