Área de Saúde do Rio ganhará reforço de 2,9 mil profissionais

Reunião discutirá crise no estado e a contratação de funcionários

Por O Dia

Rio - Mais um alento para a crise na saúde do Rio. Depois de liberar a antecipação de R$ 45 milhões para o estado, o governo federal vai garantir reforço de pessoal para o atendimento. A nova Portaria 5, criada nesta quarta-feira pelos ministérios do Planejamento e da Saúde, autoriza a contratação de mais 2.943 novos profissionais do setor no Rio. A medida será discutida nesta quinta, em reunião do gabinete de apoio à crise na saúde do estado. Nesta quarta, o secretário executivo de Coordenação de Governo, Pedro Paulo Carvalho, garantiu que o atendimento nos hospitais Albert Schweitzer, em Realengo, e Rocha Faria, em Campo Grande, na Zona Oeste, não será interrompido no período de transição da gestão estadual para a municipal.

“O atendimento será melhorado nas unidades”, disse ele, após reunião com a direção do hospital. Segundo Pedro Paulo, não haverá demissões ou cortes de funcionários, nem queda no atendimento. Outra decisão tomada é sobre a gestão das unidades. A Organização Social (OS) que gerencia o Hospital Albert Schweitzer será mantida, com cerca de 500 servidores, e a folha de pagamento será de responsabilidade do estado durante a transição.

No Hospital Rocha Faria haverá uma mudança na administração. Uma nova OS será designada e na segunda-feira começará a gerir a unidade. A necessidade da mudança, segundo Pedro Paulo, foi por infração na hora da contratação dos profissionais. “Tem funcionário sem carteira de trabalho”, afirmou.

Pedro Paulo vai discutir hoje a contratação de 2.943 profissionais%2C autorizada pelo Ministério da SaúdeDivulgação

As mudanças no Rocha Faria, além da gestão, vão ocorrer na limpeza e higiene. A Comlurb, que hoje faz a coleta de lixo do hospital — em substituição à empresa que interrompeu o serviço por falta de pagamento do estado —será dispensada. “Podemos contratar uma empresa terceirizada para fazer o serviço, já que teremos salários em dia”, disse o secretário. Ele garantiu que o tomógrafo também voltará a funcionar na unidade a partir de hoje e reafirmou ainda que o Samu e as UPAs continuarão pertencendo ao estado.

Dos R$ 26 milhões depositados pela prefeitura ontem, R$ 20 milhões foram direcionados ao Albert Schweitzer e R$ 6 milhões para o Rocha Faria. Estes valores serão destinados ao pagamento dos salários dos funcionários e médicos. Também pagará despesas das unidades, evitando que o atendimento seja interrompido e que falte material e insumos hospitalares. 

Pacientes reclamam de atendimento

Os R$ 26 milhões liberados ontem se referem à segunda parcela de um total de R$ 100 milhões prometidos pela prefeitura aos dois hospitais no fim do ano passado. “Estamos fazendo isso em dia para que todos os salários continuem dentro da normalidade”, disse Pedro Paulo, ao explicar as medidas aos secretários de Saúde do município, Daniel Soranz, e do estado, Luiz Antônio de Souza Teixeira Júnior, e à direção do hospital.

Pacientes que estavam na porta do Albert Scheitzer ontem reclamavam do atendimento. A aposentada Lúcia Caldas contou à ‘Agência Brasil’ que sua mãe, Maria Isabel dos Santos, ficou um mês e três dias internada ali e veio a falecer por pneumonia e cardiopatia após uma fratura na perna.

Ministério Publico e Defensoria notificam Estado e Município do Rio

O Ministério Público  (MP) e a Defensoria Pública oficiaram ao Governo do Estado e a Prefeitura do Rio pedindo informações a respeito da municipalização anunciada para os hospitais estaduais de emergência Albert Schweizer e Rocha Faria. Promotores de Justiça e defensores estiveram reunidos na tarde desta quarta-feira para debater a situação das unidades de saúde.

No documento, elaborado e assinado em conjunto, são solicitadas cópias do processo administrativo que subsidiou a decisão de transferência de gestão, contendo inclusive a motivação do ato, o nome e a qualificação do grupo de trabalho que fará a transição, além do plano de transição que será adotado. "As instituições requerem transparência quanto aos motivos que determinaram a escolha apenas de duas unidades estaduais, sediadas na Zona Oeste da cidade, para serem assumidas pelo Município do Rio de Janeiro, em detrimento das demais unidades estaduais de urgência e emergência, tendo em conta as responsabilidades sanitárias no Sistema Único de Saúde", cobram os órgãos em nota.

 


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