PMs de UPP indiciados por abuso e tortura têm prisão temporária decretada

A Polícia Civil já solicitou apoio à Corregedoria da Polícia Militar para apresentação dos PMs na 6ª DP

Por O Dia

Rio - Os oito PMs da UPP Coroa/Fallet/Fogueteiro indiciados pela Polícia Civil tiveram a prisão temporária decretada pela 34ª Vara Criminal. O juíz acolheu a representação de prisão feita pelo delegado titular da 6ª DP (Cidade Nova), André Pieroni, após análise das provas colhidas no inquérito policial, como imagens e depoimentos de vítimas e testemunhas. Na madrugada do último dia 25 de dezembro seis jovens teriam sido torturados pelos oito policiais da Unidade de Polícia Pacificadora

Os policiais militares Jordane Cabral da Silva, Vinicius de Amorim Tosta, Antônio Carlos de Oliveira, Diogo Santos Bocks da Silva, Helder Omena Ferreira Ribeiro, Rafael dos Santos do Amaral, Wesley Medina Assis e Carlos André Lourenço do Nascimento foram indiciados por tortura e estupro de vulnerável e, a partir da sua prisão, ficarão à disposição da Justiça comum. O crime aconteceu na madrugada do dia 25 de dezembro do ano passado.

Jovens mostram marcas de torturaAlexandre Brum / Agência O Dia

A Polícia Civil já solicitou apoio à Corregedoria da Polícia Militar para apresentação dos PMs na 6ª DP.

Os PMs, que tiveram a prisão disciplinar determinada pela Corregedoria Interna da Polícia Militar, são acusados de darem chutes, socos e pontapés em todos, ferindo alguns com uma faca quente até mesmo no órgão genital. Segundo os depoimentos dos jovens, dois deles ainda foram obrigados a praticar sexo oral, um no outro, enquanto a cena era filmada pelos policiais.

PMs são também acusados de dar tiro de fuzil em jovem

“Se eu fosse PM não daria tiro à toa”, desabafou a auxiliar administrativo Loreyne Gomes, 22 anos, atingida por tiro de fuzil na bochecha esquerda. Ela voltava da casa da sogra, no Catumbi, na garupa da moto do namorado, quando foi baleada, na Rua João Ventura.

A jovem contou que o namorado, Patrick de Jesus, 21, resolveu dar meia volta, já que o casal estava sem capacete, quando viu os policiais abordando um motociclista de forma truculenta. Em seguida, um deles atirou. “Decidimos retornar, quando senti algo queimando o meu rosto e vi o sangue”, relatou. Moradora do Morro da Mineira, a vítima foi levada pelo namorado ao Hospital Souza Aguiar, no Centro, onde levou 20 pontos e recebeu alta na tarde de sexta-feira. Loreyne foi ontem ao Instituto Médico-Legal (IML) fazer exame de corpo de delito.

Uma mulher, que, por medo, não quis dar entrevista, denunciou na página do Facebook ‘Rio Comprido Alerta’ que seu marido foi espancado e roubado pelos mesmos policiais em blitz na Rua do Catumbi. “Levaram relógio, anel e R$ 320 que ele passou o dia trabalhando para conseguir”, escreveu. Ela enviou fotos dele com ferimentos na boca e nuca.

Outro rapaz, que preferiu não se identificar, relatou as agressões na mesma página do Facebook. “Apanhei do mesmo polícia (sic) ontem no Catumbi. Polícia (sic) safado. Ele achou que falei cheio de marra (...)”, afirmou, mostrando foto de marcas vermelhas nas costas.

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