Justiça nega liberdade a PMs envolvidos em morte de jovem na Providência

Caso aconteceu em setembro do ano passado e primeira audiência de instrução e julgamento acontecerá em fevereiro

Por O Dia

Eduardo Felipe Santos Victor, de 17 anos, morreu em auto de resistência forjado por PMs da UPPDivulgação

Rio - A Justiça do Rio negou o pedido de liberdade aos cinco policiais militares envolvidos na morte de um jovem, em setembro do ano passado, no Morro da Providência. A decisão é do juiz Daniel Werneck Cotta, da 2ª Vara Criminal da Capital, e os réus Eder Ricardo de Siqueira, Paulo Roberto da Silva, Pedro Victor da Silva Pena, Riquelmo de Paula Geraldo e Gabriel Julião Florido são acusados de homicídio qualificado e fraude processual contra Eduardo Felipe Santos Victor, de 17 anos.

“Diante do contexto apresentado, ao menos por ora, nenhuma das medidas cautelares típicas alternativas à prisão se mostra suficiente a evitar o risco à instrução criminal e aplicação da lei penal, na forma explicitada. Ante o exposto, mantenho o recebimento da denúncia e indefiro os requerimentos defensivos para manter a prisão preventiva dos acusados”, justifica o magistrado na decisão.

O caso aconteceu no dia 29 de setembro e toda a ação foi gravada por moradores da comunidade, pacificada desde 2010. De acordo com as imagens, quatro PMs acompanharam a farsa, enquanto um quinto agente, vestindo uma camiseta branca e colete à prova de balas, atirou duas vezes com uma pistola, usando a mão do jovem junto à arma para deixar vestígios de pólvora. Antes disso, um militar ainda virou o corpo do rapaz, desfazendo o local do crime, o que não pode ser feito. Eduardo ainda estava vivo e gemia de dor, segundo testemunhas. Sem socorro, morreu no local.

Durante o vídeo, moradores relatam o momento em que o adolescente se move. “O moleque levantou a mão e gritou: ‘Ai, ai, ai, para, para. Estava rendido. Que Deus o tenha, podia ser um filho meu. Essa é a UPP! A UPP fajuta!”, desabafou uma das pessoas que filmaram a morte de Eduardo. “Eu tô tremendo as pernas. Levantei no primeiro tiro e vi o moleque levantar a mão e se render. Deram à queima-roupa. Novinho ele, gente”, contou outra testemunha.

A primeira audiência de instrução e julgamento do caso acontecerá no dia 17 de fevereiro. As testemunhas arroladas pela defesa dos réus Paulo, Pedro e Riquelmo (PMs que acompanharam a incursão no Morro da Providência e os peritos responsáveis pelos laudos do local do fato e do exame de corpo delito) não serão intimadas, pois não foi possível localizar nos autos as respectivas identificações.

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