Um Pouco de História: O patrimônio de São João de Meriti

Genesis Torres fala sobre a preservação dos pontos culturais da cidade

Por O Dia

Rio - São João de Meriti, como quarto distrito de Nova Iguaçu até 1.931, envolvia todas as terras banhadas pelos rios Sarapuí e o Pavuna-Meriti, desde as encostas da Serra do Jericinó até o mar. Todo esse território, ao longo da colonização, do Império e da República, cresceu e nele se instalaram fazendas, igrejas, fábricas e casario que representava da classe dominante à moradia das classes trabalhadoras escravas e livres. A reconstituição do passado em muito depende desses equipamentos econômicos, religiosos e sociais. A cultura material e imaterial que em Meriti se forjou perdeu-se e continua sendo jogada no lixo da história.

Das propriedades do comendador Telles, de Antônio Tavares Guerra, do major Augusto Cesar, de Afonso de Queiroz Mattoso, de Manoel Telles e de muitas outras, não restou mais nada. Apenas ficaram na lembrança de moradores que viveram até meados do século passado e que de, forma saudosista, repassaram aos mais jovens.

A essas propriedades somam-se casas de comércio com seus trapiches que funcionavam no centro do distrito, junto ao porto no canal Pavuna. A partir da década de 1940, as propriedades foram loteadas para atender aos migrantes nordestinos e imigrantes europeus e asiáticos durante e após as guerras mundiais. Teve inicio naquela época intensa exploração imobiliária.

Com a emancipação em 1947 e o crescimento vertiginoso da população, a cidade passou a ter demandas, e os dirigentes públicos elegeram prioridades que não contemplavam a cultura local, fruto de séculos de ocupação. Rasgou-se o pacto entre passado e futuro, marcado por presente de lutas por saneamento, saúde e educação.

O populismo irresponsável traçou uma política perversa para São João de Meriti. Os governos da municipalidade, sem exceção, não tiveram a iniciativa de traçar metas preservacionistas do seu patrimônio cultural, como formas do engajamento do seu munícipe como cidadão da cidade, defensor do ambiente preservado, limpo e respeitoso com seus antepassados.

Chegou-se ao Século 21, e a cidade não tem uma lei de tombamento e não há um bem tombado. Assistimos à destruição de alguns raros exemplares históricos, como a Casa do Embaixador na Vila São José, covardemente derrubada recentemente pela comunidade local. E os poderes assistiram sem nada fazer.

A Casa da Grota, que pertenceu a Antônio Telles de Menezes, na Venda Velha, é o único patrimônio que restou e vem sendo preservado por membro da família Telles. Vale a pena lembrar que a Lei Orgânica Municipal, nos itens IV, V e VI do artigo 130, alerta para as questões sobre os patrimônios material e imaterial.

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