Escola de música gratuita revela novos ‘Pixinguinhas’ em Meriti

Associação dos Compositores da Baixada Fluminense se tornou um referencial de pesquisa e reflexão sobre a música

Por ramon.tadeu

Rio - Se um dia você estiver passando pela Praça da Bandeira, em Vilar do Teles, em São João de Meriti, e escutar um samba ou um chorinho, vale a pena perguntar de onde vem a música. Se puder, uma visitinha também será boa ideia.

É lá que fica a Associação do Movimento de Compositores da Baixada Fluminense (AMC), instituição criada por compositores anônimos e trabalhadores comuns. Entre eles metalúrgicos, pintores, serventes, camelôs.

O lugar, que antes da década de 1990 era mais uma das casas com quintal da vizinhança, tornou-se um referencial de pesquisa, estudo e reflexão sobre música.

Lá, os alunos aprendem a tocar violão de sete cordas, violão tradicional, cavaquinho, bandolim, flauta doce, flauta transversa, percussão e teoria musical. E o melhor é que as aulas são de graça.

A associação de compositores é resultado do trabalho do compositor, músico e pesquisador, Bernard Von Der Weid, que percorreu a Baixada à procura dos ‘Pixinguinhas’ da atualidade. A pesquisa levou à formação da instituição, criada em 1991.

Espaço atende atualmente 170 crianças e jovensDivulgação

O artista morreu em 2013, mas a proposta que lançou se mantém viva. A escola, hoje dirigida pela viúva de Weid, Lena de Souza, ficou pronta em 1996. “Não tínhamos quase nada. Fizemos no peito e na raça. Tínhamos quatro violões, quatro cavaquinhos e quatro pandeiros”, lembra.

Hoje, 170 crianças e jovens aprendem música a partir da obra de mestres como Pixinguinha, Chiquinha Gonzaga, Cartola e Nelson Cavaquinho.Lena explica que, desde a criação, já foram formados na escola diversos grupos musicais, incluindo uma orquestra de pandeiros e outra de sopros e cordas. No repertório, a preferência é pelo samba e pelo choro tradicionais.

Além das aulas de música, os estudantes participaram de saraus e audições com músicos profissionais e compositores. Já passaram pela escola de Meriti, entre outros, Monarco, Luiz Carlos da Vila, Turíbio Santos, Ademilde Fonseca, Nelson Sargento, Délcio Carvalho, Carlos Malta e Wilson Moreira.

Professora começou aos 11 anos

Da escola, saem músicos cobiçados pelo circuito do samba e do choro no Rio de Janeiro. Foi o que aconteceu com a professora de violão Samara Líbano, de 26 anos, que iniciou os estudos aos 11 e hoje toca com Nei Lopes. “Comecei por curiosidade e, hoje, vivo da música. Vejo este espaço como uma abertura de portas para crianças e jovens da região”, destaca.

Segundo ela, o espaço é de informação, lazer e cultura. Para ter direito a um certificado, os músicos devem procurar uma escola profissional.

Diversos grupos já foram criados%2C como a orquestra de sopros e cordasDivulgação

Para crianças e adolescentes

A AMC funciona também como espaço de convivência, no qual os alunos e a comunidade assistem a filmes e recebem visitas de profissionais do meio musical.

As inscrições para a escola ficam abertas durante todo o ano. Podem participar crianças e adolescentes de 9 anos a 18 anos e que, preferencialmente, estudem na rede pública de ensino.
Para se inscrever, é preciso levar cópia de comprovante de residência e uma foto três por quatro. A sede da escola é na Rua Duque de Caxias 536, Vilar dos Teles. As aulas são de segunda a sexta-feira em dois turnos, de manhã e à tarde.

Reportagem Felipe Carvalho

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