Wilson Diniz: O caos político em um país quebrado

Com fim das obras dos Jogos, mais 35 mil trabalhadores serão jogados no mercado de trabalho informal

Por O Dia

Rio - Os especialistas na Teoria dos Ciclos Econômicos e da Teoria do Caos tem o Brasil como referência entre as nações que passaram por longo período de depressão econômica e de caos político decorrente de uma classe política corrupta que se locupletaram dos cofres públicos para criar novas teorias. 

No último sábado, Henrique Meirelles em entrevista nas redes de televisão depois do encontro com Michel Temer, nas entrelinhas, disse que medidas de ajustes fiscais ortodoxos serão necessárias para diminuir a relação da dívida pública sobre o PIB. Outros estudos apontam que a dívida aumenta em R$ 2 bilhões ao dia e que até o final do ano atinge 74.4%. O Fundo Monetário Internacional projeta que em 2019 esta relação da dívida sobre o PIB chegará a 92%. Este é o legado que a equipe econômica comandada por Guido Mantega deixou para o país.

A conjuntura recessiva da economia tem efeito dominó nas quebra dos estados. O Rio Grande do Sul e o Rio de Janeiro são exemplos da crise com as finanças em déficit crônico. No Rio, nos dois primeiros meses de 2016, o déficit é de R$ 3.66 bilhões e está previsto déficit acumulado de R$ 19 bilhões decorrente da crise da cadeia do petróleo e, segundo especialistas, em função dos incentivos fiscais concedidos a empresas. Em manchete de destaque nos jornais neste domingo, com o título ‘Muito incentivo, pouco resultado’ destaca-se a queda de ICMS e da participação dos royalties do petróleo.

O resultado da crise tem como consequência 10 milhões de desempregados. Com fim das obras dos Jogos, mais 35 mil trabalhadores serão jogados no mercado de trabalho informal. A solução só ocorrerá com um novo governo que priorize o equilíbrio fiscal, pois o modelo petista se esgotou.

O ‘caos político’ se alastra. Menciona-se que só na Câmara há 300 congressistas envolvidos em corrupção. Em cadeia dos acusados, a PF chega ao balcão de negócio privado do BNDES comandado por Luciano Coutinho. Novas denúncias da mulher do marqueteiro envolvem o ex-ministro Palocci e João Vaccari na planilha da Odebrecht.

Diante do caos político e financeiro num país quebrado, só um novo governo para criar ambiente de confiança junto a empresários. Assim, o Brasil poderá buscar novos horizontes.

Wilson Diniz é economista e analista político


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