Aristóteles Drummond: Quem foi João Figueiredo

Deve-se à sua determinação a abertura política e uma anistia ampla, total e irrestrita

Por O Dia

Rio - Os jornais e revistas estão comentando o último livro sobre o período militar de autoria do jornalista Elio Gaspari. Embora se trate de trabalho profundo, rico em informações e tendo como base os arquivos do general Golbery do Couto e Silva, o livro oferece aos mais jovens ou menos informados sobre o presidente João Figueiredo e seu período de governo uma visão preconceituosa, recheada de ironias e até mesmo de deboche.

Procura caricaturar um homem de temperamento difícil, mas preparado, correto, respeitado pelos companheiros de vida militar e chefe de um governo com excelentes resultados, apesar da conjuntura internacional desfavorável. Pode não ter sido, e certamente não foi, um político hábil, mas o saldo foi muito positivo.

A equipe de João Figueiredo foi das de melhor desempenho da República. Quem pode questionar o valor de brasileiros como Leitão de Abreu, Camilo Pena, Ernane Galveas, Cesar Cals, Costa Cavalcanti, Nestor Jost, Abi Ackel, Jarbas Passarinho, Delfim Netto, Hélio Beltrão, Murilo Badaró e Saraiva Guerreiro? A primeira mulher a assumir um ministério de Estado foi a professora Ester de Figueiredo Ferraz, na Educação, e no governo dele.

Além disso, Figueiredo prestigiou a Petrobras para que triplicasse a produção de petróleo, sem roubalheira. A Vale executou Carajás, a grande mina, a ferrovia e o porto. O ministro Andreazza foi grande realizador de casas populares e de obras de saneamento. Elizeu Resende, nos Transportes, tocou obras rodoviárias de grande importância, como a Rio-Juiz de Fora e a BR-135, ligando o sertão baiano a Belo Horizonte. Tocamos Itaipu, construímos Tucuruí.

Deve-se à sua determinação a abertura política e uma anistia ampla, total e irrestrita. Na época, até a oposição ao regime admitia que a mesma não atingisse os responsáveis pelos chamados “crimes de sangue”, envolvendo muitos que, recentemente, trocaram o sangue das mãos pela lama da corrupção. Já Figueiredo morreu sem recursos, tendo tido de desativar modesto sítio em que mantinha dois cavalos, sua paixão.

O compromisso democrático herdou do pai, militar, que conheceu o exílio e viveu a democracia, sendo eleito deputado federal. Família de grandes brasileiros, como os irmãos militares Euclides e Diogo e o escritor Guilherme. Comparem os homens de Figueiredo e o desempenho da maioria dos anistiados por ele.

Aristóteles Drummond é jornalista

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