Convênio com ídolos do esporte leva metodologia de ponta para favelas carentes

Na Rocinha, o basquete segue a cartilha da NBA

Por O Dia

Rio - Corre, para, toca, recebe, devolve, arremessa, salta, quica, bate, soca, chuta, derruba, enterra, levanta, dá uma raquetada! Pausa. Abastece o pulmão de ar e vai tudo de novo. O que não falta é motivo para se mexer. A Secretaria de Estado de Esporte, Lazer e Juventude (Seelje) firmou parcerias com grandes ídolos das mais diversas modalidades e espalhou núcleos de aprendizagem desportiva por várias comunidades carentes. Só um dos projetos, a Escolinha de Futebol e Cidadania Léo Moura, atende a cerca de 4.800 crianças e adolescentes, em 25 núcleos, distribuídos por 15 municípios, sendo cinco deles em favelas cariocas.

Na foto%2Co professor Rodrigo e seus alunos no parque Olímpico da RocinhaMárcio Mercante / Agência O Dia

O convênio mais recente foi fechado com a principal liga de basquete do mundo, a Associação Nacional de Basquetebol norte-americana, NBA (sigla em inglês), que montou uma escolinha na Rocinha. A NBA fornece conteúdo, uniformes, equipamentos e professores. Até as tabelas da quadra, os gringos trocaram. O governo entrou com o espaço. “O objetivo é dar oportunidade à criança de aprender e praticar um esporte diferente. Romper com a monocultura do futebol. O aluno vai ser educado com valores da NBA: trabalho em equipe e respeito ao adversário”, explica o responsável pelas atividades de quadra da NBA na América Latina, Daniel Soares.

Além de aprenderem com as melhores técnicas, os jovens que se destacarem ficam a um passo de ingressar na constelação de atletas de ponta. Afinal, estão sendo observados de perto por gente que habita o universo das estrelas esportivas. “Você não chega ao alto rendimento se não tiver aquele professor numa escolinha ou numa escola estadual ou numa praça da cidade. Não tem diretamente a ver com Olimpíada, mas tenho certeza que quanto mais tivermos núcleos esportivos funcionando nas comunidades, mais campeões olímpicos a médio e longo prazo teremos”, afirma o secretário Marco Antonio Cabral, que esteve na quinta-feira, no Complexo Esportivo da Rocinha, para bater uma bolinha com a garotada.

Revelar novos ídolos é sempre bom, mas não é a prioridade. “A parte social é mais importante”, garante o secretário, para quem a prática do esporte é o legado. “Cerca de 35% dos cariocas fazem exercícios regularmente. Temos que ampliar esse número”, defende, destacando que o esporte e a cultura são essenciais para os jovens moradores de comunidades. Mas, não são apenas os atletas que têm que se mexer em busca de uma vida mais saudável. O secretário garante que está se movimentando também. “Estamos iniciando 34 núcleos esportivos, em 14 comunidades”, diz, referindo-se ao Programa Caminho Melhor Jovem voltado para comunidades pacificadas. E aí, vai ficar parado?

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