Chefão do PCC 'apadrinhou' homem do CV

Gravação é indício de que Marcola busca adeptos e de que facção paulista é rival das três que agem no Estado do Rio

Por O Dia

Rio - Uma gravação feita pela polícia através de interceptação telefônica aponta que o traficante Marcos Camacho, o Marcola, tido como chefe do PCC, facção paulista, ‘apadrinhou’ um líder do Comando Vermelho (CV) dentro de Bangu 3, para ele mudar de facção. A estratégia de conversão de adeptos do CV para a quadrilha paulista é um dos indícios de que o PCC aparece atuando como uma facção autônoma no Rio, rivalizando com as outras três organizações já existentes.

No áudio, obtido pelo DIA, o traficante Leo Fantasma, preso no Paraná, afirma que “o padrinho desse chefe do CV é o próprio Marcola”. As gravações, realizadas entre fevereiro e setembro deste ano pela 27ª DP (Vicente de Carvalho) já estão em um inquérito encaminhado à Justiça. Segundo o inspetor que realizou as escutas, “o fato de Marcola ser o padrinho de batismo mostra que o traficante seria alguém de importância na cúpula do CV”. Esse traficante não foi identificado pela investigação. O ‘batismo’ é a mudança de facção. Nele, o novo adepto tem que jurar que irá cumprir as regras do PCC e, caso queira sair dela, será punido com a morte.

Foi o destino de pelo menos quatro traficantes do Rio, que se arrependeram de entrar no PCC. Áudios mostram que Leo Fantasma manda executá-los “por abandono da facção”. “As vezes tenho que pesar a mão”, diz em um trecho.

Segundo a investigação, o PCC já estaria recrutando novos adeptos em sete regiões do estado, incluindo capital, interior e a Região Serrana.

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