Novos em Brasília: Cinco suplentes para defender o Rio

Eles não se elegeram em 2014, mas ocuparão vagas que eram de prefeitos e secretários

Por O Dia

Brasília - A mudança de guarda em prefeituras do Estrado do Rio teve efeitos em Brasília, alçando candidatos para quem faltaram votos na eleição de 2014 à condição de deputados federais e levando de volta ao Senado um político que se especializou em cobrir vagas deixadas por Marcelo Crivella e que permanece um ilustre desconhecido para parte da população fluminense.

A partir do dia 3 de fevereiro, Dejorge Patrício, Nelson Nahim, Lourival Gomes e Marcelo Delaroli vão representar o Rio de Janeiro na Câmara dos Deputados. No Senado, Eduardo Lopes completará a bancada do estado na Casa, que tem ainda Romário e Lindbergh Farias. Os deputados têm em comum o fato de serem políticos com base no interior. Já Lopes é um articulador político de bastidor, ligado à Igreja Universal. A última (e primeira) eleição a que concorreu como titular foi em 2006. Não conseguiu uma cadeira de deputado federal.

Eles não se elegeram em 2014%2C mas ocuparão vagas que eram de prefeitos e secretáriosAgência Senado

A montagem do secretariado de Crivella abriu três vagas na Câmara, numa dança de cadeiras restrita aos partidos do Centrão. O posto do “Homem do chapéu”, Luiz Carlos Ramos (PTN), foi ocupada por Lourival Gomes (PSDC). Clarissa Garotinho (sem partido) abriu espaço para Dejorge Patrício (PRB). A família Matheus, no entanto, não ficou sem representante. A vaga do supersecretário Índio da Costa (PSD) foi herdada por Nelson Nahim, tio de Clarissa e irmão de Anthony Garotinho.

Lourivalzão

Lourival Gomes, 61 anos, é conhecido em seu reduto eleitoral, Saquarema, menos como político e mais como proprietário dos Supermercados Gomes, com sete lojas na região e como presidente de honra do Sampaio Corrêa F.C., oitavo colocado na Série B do Estadual do ano passado. O estádio do clube, com 3.500 lugares, é conhecido como Lourivalzão, em homenagem ao benemérito.

O comerciante recebeu 16.807 votos na eleição de 2014 (9.959 deles em Saquarema) e conseguiu uma suplência. Agora, está de malas prontas para Brasília. Como o titular do cargo, Luiz Carlos Ramos, assim como os outros deputados ocupantes de outros cargos, provavelmente, vão participar da eleição do presidente da Câmara no dia 2 de fevereiro, ele assumirá, de fato, apenas no dia 3. "Vou para lá defender o trabalhador", garante. “O político chega em Brasília e esquece do povo", completa.

Perguntado sobre sua posição em relação à reforma da previdência, no entanto, o novo parlamentar revela não ter posição formada: “Não estou bem inteirado ainda. Deixa eu chegar lá para saber”, diz. “Não adianta eu querer mudar alguma coisa se o presidente não quiser", acredita.

Pela família

Dejorge Patrício (PRB), que tem mandato de vereador, perdeu a eleição para prefeito em São Gonçalo no ano passado por pouco. Teve 46% dos votos. A tarefa que lhe aguarda, no entanto, deverá ser mais fácil do que administrar o município, que passa por grave crise financeira. Ele assume a vaga de Clarissa Garotinho na Câmara e diz que sua “missão” é “buscar recursos”. “Vou priorizar minha cidade. Já estou preparando várias emendas”, diz ele, que conta com o apoio do ministro de seu partido, o bispo licenciado da Universal Marcos Pereira, que ocupa a pasta do Desenvolvimento, Indústria e Comércio.

Conheça os cinco suplentes que vão defender o Rio no Congresso NacionalArte O Dia

Patrício, de 42 anos, diz que sua atuação política é pautada pela religiosidade. “Sou asembleiano (seguidor da Assembleia de Deus). Vou continuar sendo contra tudo que agrida a família”, garante.

Eduardo Lopes, um discreto senador

Eduardo Lopes tem trajetória política curiosa. Ele acaba de se tornar senador pela segunda vez. Além disso, já foi ministro da Pesca. Tanto nos mandatos no Congresso como no cargo no Executivo, ele substituiu o atual prefeito do Rio, Marcelo Crivella.

Lopes também é presidente do Partido Republicano Brasileiro (PRB). Bacharel em Teologia, o político fez carreira na Igreja Universal. Apresentou programas na TV e no rádio e foi presidente do jornal Folha Universal.

Em 2006, candidato a deputado federal, teve boa votação, mas não conseguiu se eleger. No entanto, como suplente, exerceu o cargo por dois períodos. Agora, ele cumprirá mais dois anos de mandato no Senado. A assessoria do senador informou que, por motivo de viagem, ele não poderia responder às perguntas enviadas pela reportagem.

Saindo de Brasília para o Centro do Rio, mais dois suplentes herdaram vagas de secretários municipais. Na Câmara dos Vereadores, Alexandre Arraes (PSDB) entra no lugar de Teresa Bergher (PSDB) e Sérgio Alves (SD) no de Carlos Eduardo Mattos (SD).

Campos e Maricá entram na pauta

Nelson Nahim (PSD) assume o mandato de deputado federal na vaga deixada pelo secretário Índio da Costa. Isso caso não se confirmem os rumores de que o atual secretário estadual de Esporte, Lazer e Juventude, Marco Antônio Cabral, retome sua cadeira na Câmara. Político mais tarimbado da leva que vai para Brasília, Nahim, irmão de Garotinho, já foi deputado federal. Em junho do ano passado, ele foi condenado a 12 anos de prisão sob a acusação de participar de um esquema de exploração sexual de menores em Campos.

Advogado de formação, conseguiu um habeas corpus em outubro e responde ao processo em liberdade. Ele enfileira argumentos contra sua condenação, negando qualquer participação no caso, se diz tranquilo em relação ao seu novo julgamento, por uma turma do Tribunal de Justiça e diz que vai distribuir uma cópia do seu processo para cada deputado federal ao chegar a Brasília.

Nahim diz que o seu caso mostra a necessidade de se discutir a atuação do Judiciário. “Precisamos encontrar formas de evitar ou punir decisões absurdas tomadas por esse poder”. Outro foco de sua atuação, garante, será a saúde, mais especificamente as carências na cidade de Campos. “Não temos tratamento de oncologia aqui na cidade. Se alguém precisa fazer radioterapia, tem que ir para Itaperuna”.

Marcelo Delaroli, que entra na vaga deixada pelo prefeito eleito de São João de Meriti, Dr. João, também aponta uma experiência individual como mote para sua prioridade: a segurança. “Eu fui assaltado ao meio-dia, en frente à Rodoviária de Maricá, minha própria cidade”.

A situação é mais complicada ainda para Delaroli, que já foi policial militar. No ano passado, ele teve dois momentos de destaque: foi um dos “papagaios de pirata” na sessão do impeachment de Dilma Rousseff na Câmara, aparecendo durante a leitura de vários dos votos da noite inesquecível e, ao se candidatar a prefeito de sua cidade. Perdeu a eleição, a qual concorreu com a candidatura indeferida, com possibilidade de recurso. De toda forma, ele saiu do DEM após o pleito e voltou para o PR, o que era necessário para que ele assumisse a vaga na Câmara.

“Vou para lá brigar pelos militares e por todos os funcionários públicos”, garante. Por conta disso, ele diz que já combinou com o partido. “Não vou votar nada que aumente o tempo de contribuição ou diminua os direitos do trabalhador”, garante.

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