Paris à meia luz

Caranguejo anda de lado porque gosta. O mercado francês de automóveis nem tanto, ou melhor, está quase se acostumando às vacas magras que invadiram os Champs Elisées e teimam em não sair

Por O Dia

Com quedas sequenciais e crescimento baixo nos últimos dois anos, a automotiva francesa coloca as barbas de molho  celebra a cereja do bolo, que é o tradicionalíssimo Salon D’Automobile de Paris, onde estaremos amanhã bem cedo. Como o mercado reage a curto prazo e as montadoras planejam em longo prazo temos, às vezes, situações paradoxais com a apresentação de modelos condenados ao fracasso.

Outros, é claro, nascem para brilhar. Neste último caso, a opção estratégica da Renault, de investir na baixa gama, através de projetos Dacia, mostrou-se perfeita. Lá e cá, onde o Logan, Sandero e Duster se encaixam nas vias estreitas da crise e vendem bem, com seu discurso de espaço interno com simplicidade e baixo preço.

Assim, há uma tendência de outras marcas a buscar ideias amortizadas em montadoras dos países periféricos e trabalhar este mercado. A VW e a GM traçam caminhos neste sentido. No alto do mercado, entre os modelos elaborados e caros, a maré próspera é comemorada com novos modelos e pacotes ainda mais completos. Margens de lucro e o discurso da exclusividade empurram para o alto e avante a Porsche; Volvo e seu XC 90; Rolls Royce; Bentley; Audi e a nova A6; BMW, com a Série 2 Cabrio e o SUV X6; e Mercedes-Benz, a esnobar com o AMG GT.

Todas que não abrem mão da alta tecnologia e segurança. E vão bem assim. Entre os que vão ser mostrados na Porte de Versailles, muitos com foco no Brasil, como a picape Duster, que promete repetir o sucesso do SUV, e o Land Rover Discovery Sport, modelo que será montado em Itatiaia, no Rio de Janeiro, em 2016.

Outros que serão cobiçados aqui na França são o Golf Alltrack, uma versão Adventure do VW, o Fiat 500 X, pequeno e com quatro portas como o Mini Cooper Five Door. Ainda entre os pequenos, o Smart ForTwo, cotado na Europa, muda desenho para seu melhor comprador, o parisiense.

A VW aponta sua tendência mais forte com as caixas de marcha automatizadas DSG de dupla embreagem e oferece tecnologia no Passat GTE, um híbrido ‘plug-in’. Mas o sonho também está aqui, na Ferrari, Aston Martin e Lamborghini, mas isso eu conto na semana que vem.

Curtas

A VW Transporter virou picape em um conceito que despertou muita atenção durante o recente Salão de Hannover, dedicado aos carros de serviço. O Tristar tem a frente alta, cabine estendida, caçamba grande e tração integral entre os seus atributos. Já chama a atenção de trilheiros como brinquedo de fim de semana.

Em curto. A Ford chama à revisão mais de 850 mil veículos diversos por defeitos elétricos. A pane pode colapsar airbags e pre-tensionadores de cintos de segurança. Entre os carros
em recall somente o Fusion é vendido no Brasil.

Respeitada nos EUA, a KIA irá comemorar seus primeiros 20 anos neste mercado com o lançamento do Soul EV, elétrico puro, para briga com o Nissan Leaf.

Pessimismo na Argentina com a queda de vendas de autos. As previsões do governo, de um milhão de unidades não devem se cumprir e os revendedores esperam o máximo de 600 mil emplacamentos este ano.

Lançado o Prêmio Americar-Associação América Latina da Imprensa de Carros- 2014, com 52 jornalistas automotivos de 11 países.

Triciclo liberado

Redução de pesos na carroceria e no motor de três cilindros e 900 cc, com 55 cv. O triciclo trafega bem entre os carros e motos. Pode levar dois ocupantes em fila e consome um litro de gasolina a cada 35,7 km. Batizado de P4, foi homologado pela autoridade rodoviária norte-americana e começa a ser produzido em 2015. Vai custar US$ 6.800 ou R$ 16.400, sem taxas.

DS vira marca

E ainda no Salão de Paris, a Citroën apresentará a DS como marca independente. A estratégia do ‘double chevron’ é buscar público categorizado e maiores margens, com projetos que disputem o topo do mercado premium, com a Audi, Volvo e BMW, entre outras. Na foto, o conceito DS Divine, uma das atrações do evento francês.

Jetta 'made in' São Bernardo

A VW confirmou a produção do Jetta em São Bernardo do Campo. A marca quer atender à demanda, que provoca filas para o modelo. Os alemães vão montar em regime CKD dezoito mil unidades por ano. A versão não foi anunciada. O Jetta pode ter dois motores, de 120 cv e 211 cv.

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