Por O Dia

Rio - Antes de ter filho, eu costumava dizer que preferia velhos a crianças. Hoje, posso afirmar que as duas fases da vida me encantam igualmente. Eu pude perder a arrogância de não dar valor às crianças, sem deixar de me comover com a velhice. Um amigo meu insistia: “Para com isso! Também existem velhinhos maus”. Há boas e más pessoas em qualquer geração, sabemos. É a essência de cada tempo de vida que me comove, independentemente da inadequação do ser humano à vida em sociedade. 

Por isso, fui mais uma a adorar descobrir a existência do Intergenerational Learning Center, asilo misturado com pré-escola que funciona em Seattle, nos Estados Unidos. A segregação de acordo com as gerações é uma questão que sempre tive dificuldade para entender e aceitar. Pessoas são pessoas, e a troca de experiências nos enriquece em qualquer idade. No centro de estudos, que ganhou visibilidade além-EUA graças à documentarista Evan Briggs, mais de 400 ‘asilados’ convivem com crianças cinco dias por semana em projetos de arte, dança, contação de histórias e outros, como fazer sanduíches para os sem-teto da cidade. Seduzida pelo conceito do lugar, a cineasta passou o ano letivo de 2012 por lá, filmando por conta própria o documentário ‘Presente Perfeito’. Para conseguir financiar a edição do filme, lançou uma campanha com objetivo inicial de arrecadar 50 mil dólares, mas ontem já estava em mais de 94 mil dólares.

Em entrevistas, Evan Briggs falou do quão doce foram as interações que testemunhou entre crianças e idosos, o que nos enternece só de assistir ao trailer. Algumas situações estranhas, outras engraçadas, mas todas dolorosamente reais, de cortar o coração. O que quem está crescendo pode ensinar para quem já envelheceu e vice-versa? O aprendizado e crescimento mútuos são visíveis sem que se faça esforço com a troca de experiências entre as gerações. Os residentes se transformam na chegada de meninos e meninas. A visão deprimente é naturalmente substituída por outra, de vida e esperança. A diretora observou que a postura de mortos-vivos da maior parte dos internados, tristes e cabisbaixos como se apenas esperassem a morte, ganha injeção de ânimo com a aparição das crianças, e espera que essa experiência possa ser ampliada para a educação infantil e a forma como enxergamos os mais velhos no mundo. Um grande início para um diálogo sobre envelhecimento, inadiável.

Mais de dois milhões de pessoas acessaram o trailer no YouTube. É comovente.

Clique aqui para assistir ao vídeo

Últimas de _legado_Notícia