Ruínas revelam obra da natureza

Parque ambiental a 130 km do Rio reconta história de cidade submersa e preserva espécies

Por O Dia

Rio - Uma cidade que ficou desaparecida por mais de sete décadas agora tem sua história recontada por meio de suas ruínas. E ainda ajuda a preservar espécies típicas da Mata Atlântica. Em 1939, São João Marcos foi uma das primeiras cidades históricas do Brasil tombadas pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. No ano seguinte, foi destombada e demolida pelo governo Vargas para a ampliação do complexo hidrelétrico de Ribeirão das Lajes e para garantir o suprimento de água para o Rio, que enfrentava uma crise de abastecimento na época. Os moradores tiveram que ser retirados pelo risco de alagamento.

Durante passeio%2C é possível avistar aves antes raras na região e também árvores nativas como o mulunguDivulgação

Hoje, a área ajuda a abastecer cerca de 90% do Rio, além de fornecer 25% da energia para o estado. Criado em 2011, o Parque Arqueológico e Ambiental de São João Marcos, em Rio Claro, a 130 km do Rio, atrai milhares de visitantes por mês, boa parte deles, estudantes.

Para o biólogo Mário Vidigal, agente de fiscalização da Secretaria do Meio Ambiente do município, o parque ajuda a inibir predadores da natureza e caçadores, que são muito vistos no entorno da região. Vidigal também afirma que o corredor ecológico permite a circulação de animais com segurança, por ter fiscalização da Secretaria, Light e do Batalhão Florestal. Ele também explica que podem ser vistas muitas espécies de animais que eram bem raros na região, como o tucano, trinca ferro e maritacas.

“Isso ajuda a manutenção de espécies e na preservação. A população de muitos dos animais aumentou nos últimos anos”, afirma. Nas ruínas também é possível ver o mulungu, uma árvore pouco vista fora do parque.

Aula grátis de arqueologia e horta orgânica

Com entrada gratuita, o parque oferece passeios com guias turísticos e conta com Centro de Memória, anfiteatro, salas multimídia e de exposições e um campo de futebol. Há ainda o Espaço Obra Escola, onde as crianças são apresentadas ao mundo da arqueologia de maneira lúdica. Em uma horta orgânica, os alunos cultivam e colhem alimentos livres de agrotóxicos. O parque é mantido pela Light e Secretaria de Cultura do Estado e gerido pelo Instituto Cultural Cidade Viva.

*Reportagem estagiária Daniele Bacelar

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