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Os advogados de defesa do grupo J&F (holding controladora do frigorífico JBS) colocaram os passaportes do empresário Joesley Batista e do diretor de Relações Institucionais do grupo empresarial, Ricardo Saud, dois delatores da Lava Jato, à disposição, por meio de um ofício protocolado no Supremo Tribunal Federal (STF).

Além disso, os defensores dos executivos da J&F pediram para ser ouvidos pelo ministro Luiz Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF, antes de o magistrado tomar uma decisão sobre o pedido de prisão apresentado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Não é comum que os acusados sejam ouvidos pela Justiça antes de um mandado de prisão ser decretado.

O ofício foi entregue pelos advogados da J&F na sexta-feira, mesmo dia em que Janot pediu a prisão de Joesley, Saud e do ex-procurador da República Marcello Miller, que atuou ao lado do chefe do Ministério Público no grupo de trabalho da Lava Jato.

EX-PROCURADOR

A defesa do ex-procurador da República, Marcello Miller, divulgou ontem uma nota em que "critica veementemente o pedido de prisão do seu cliente enquanto estava depondo por dez horas, no Rio de Janeiro".

Além disso, afirmou que tomou conhecimento do pedido pela imprensa "e estranha que tenha sido apresentado no mesmo dia em que estava esclarecendo todos os fatos ao Ministério Público".

Na nota, a defesa do ex-procurador alega também que entregou provas de que Marcello Miller estava afastado do grupo da Operação Lava Jato e das atividades da Procuradoria-Geral da República desde julho de 2016, quando passou a trabalhar na Procuradoria da República no Rio de Janeiro.

"O ex-procurador nunca atuou como intermediário entre o grupo J&F ou qualquer empresa e o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ou qualquer outro membro do Ministério Público Federal", informa a nota, assinada pelos advogados André Perecmanis e Paulo Klein.

A defesa também informou que disponibilizou o passaporte de Miller e entrou com o requerimento para que o pedido de prisão seja rejeitado ou, ao menos, para ser ouvida antes da decisão do ministro Edson Fachin, segundo informações da Agência Estadão Conteúdo.

A mesma medida já foi tomada pelas defesas do empresário Joesley Batista e do executivo Ricardo Saud, do grupo empresarial da J&F. O pedido de prisão ainda dos acusados precisa ser apreciado por Fachin. Miller é acusado de atuar como investigador da Lava Jato e, ao mesmo tempo, defender interesses da J&F.

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