Visual muito além de seu tempo

Letreiros de comércios centenários guardam histórias da cidade e viram objetos de estudo e desejo de colecionadores

Por FRANCISCO EDSON ALVES

les transcendem o tempo e ajudam a contar visualmente boa parte da história do Rio de Janeiro. Os letreiros antigos, pendurados sobre as portas de muitos estabelecimentos comerciais, viraram um museu a céu aberto. São admirados, fotografados e funcionam como uma máquina do tempo, remetendo cariocas e turistas ao passado. Além de ajudar a chamar a atenção de fregueses em bares, restaurantes e lojas, os letreiros também são inspirações para livros, teses de dissertação e já conquistaram até colecionadores.

"Estou fazendo doutorado justamente sobre letreiros antigos. São fascinantes e, como cofres, guardam histórias que são verdadeiros tesouros", justificou o professor Vinícius Guimarães, de 36 anos, com mestrado em tipografia vernacular (característica de uma região) urbana pela Uerj. Vinícius lembra que os letreiramentos urbanos, com seus designs e tipografias informais, são marcas importantes da produção e expressão da cultura local de antigamente. "A era que antecedeu a internet, sem a tecnologia digital, obrigava as pessoas a buscarem soluções próprias para divulgação de seus comércios. Cada letreiro pintado, talhado e confeccionado à mão expressava uma espécie de identidade única dos donos".

No Centro, a histórica Confeitaria Colombo ostenta o mesmo letreiro, com brasão próprio, desde a sua fundação, em 1894. "Vim ao Rio a trabalho e para tirar uma selfie com esse letreiro lindo", contou a paulista Cláudia Nucci, 42. "Nossa marca é um charme", declarou, orgulhoso, Orlando Duque, 80, ao lado do gerente da Colombo, Delfim Magalhães, 54. "Testemunho essa euforia há seis décadas e meia", completou Orlando, mostrando a carteira de trabalho na vitrine, que o consagra como garçom mais antigo do Rio. Entre os clientes atendidos por ele, estão o presidente Getúlio Vargas e a Rainha Elizabeth.

Em Copacabana, Tchutcho Villar, 75, um dos donos do tradicional restaurante Cervantes, revela como nasceu o letreiro mais badalado do bairro, em homenagem ao escritor espanhol Miguel de Cervantes, autor de Dom Quixote. "Surgiu de um rascunho no guardanapo, feito pelo meu pai, Cândido Villar, já falecido. Ele acertou em cheio na marca, sem querer".

O aposentado Joseph Simões, 76, colecionador de letreiros na Tijuca, guarda a sete chaves suas relíquias, embora pense em fazer um museu no futuro. "Devo ter uns 30. É um saudosismo gostoso de se reviver", apontou Simões. A Tijuca, aliás, é um dos bairros que mais detêm letreiros antigos, como o da loja de materiais elétricos Ao Transistor da Tijuca, a Gurilandia Lanches e a Eletrônica Hobrum, com lâmpadas coloridas à sua volta.

Galeria de Fotos

05/09/2017. Especial - Letreiros antigos, que contam uma boa parte da história visual das ruas do Rio de Janeiro - Chucho Villar, 75 anos do Bar Cervantes, em Copacabana. Foto - Márcio Mercante / Agência O Dia Márcio Mercante / Agência O Dia
05/09/2017. Especial - Letreiros antigos, que contam uma boa parte da história visual das ruas do Rio de Janeiro - Armarinho Imperatriz. Foto - Márcio Mercante / Agência O Dia Márcio Mercante / Agência O Dia
05/09/2017. Especial - Letreiros antigos, que contam uma boa parte da história visual das ruas do Rio de Janeiro - Clarice de Almeida, 57 anos, dona da Flora Santa Clara, em Copacabana. Foto - Márcio Mercante / Agência O Dia Márcio Mercante / Agência O Dia
05/09/2017. Especial - Letreiros antigos, que contam uma boa parte da história visual das ruas do Rio de Janeiro - Flora Santa Clara, em Copacabana. Foto - Márcio Mercante / Agência O Dia Márcio Mercante / Agência O Dia
05/09/2017. Especial - Letreiros antigos, que contam uma boa parte da história visual das ruas do Rio de Janeiro - Bar Cervantes, em Copacabana. Foto - Márcio Mercante / Agência O Dia Márcio Mercante / Agência O Dia
05/09/2017. Especial - Letreiros antigos, que contam uma boa parte da história visual das ruas do Rio de Janeiro - O vendedor Marcelo Marzano do Armarinho Imperatriz. Foto - Márcio Mercante / Agência O Dia Márcio Mercante / Agência O Dia
2017-09-05. Especial - Letreiros antigos, que contam uma boa parte da história visual das ruas do Rio de Janeiro - Confeitaria Colombo. Foto - Márcio Mercante / Agência O Dia Márcio Mercante / Agência O Dia
05/09/2017. Especial - Letreiros antigos, que contam uma boa parte da história visual das ruas do Rio de Janeiro - Confeitaria Colombo. Foto - Márcio Mercante / Agência O Dia Márcio Mercante / Agência O Dia

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