Após desmaiar no enterro, a mãe de Eduardo é socorrida no cemitério - Luiz Ackermann
Após desmaiar no enterro, a mãe de Eduardo é socorrida no cemitérioLuiz Ackermann
Por GUSTAVO RIBEIRO

Rio - Parentes de Eduardo Henrique de Oliveira, de 10 anos, velaram nesta terça-feira o corpo do menino, morto a tiros na Rua Lopo Diniz, próximo ao Morro do Juramento, na Zona Norte do Rio, na segunda-feira. A dor e a tristeza de enterrar uma criança se somaram à indignação da perda precoce. A mãe da vítima, Ana Paula Carvalho de Oliveira, de 35 anos, desmaiou durante o cortejo, que aconteceu no Cemitério de Inhaúma. Ela foi socorrida por familiares e funcionários do cemitério.

Eduardo tinha saído de sua casa, na rua Lopo Diniz, para comprar sacolé com um amigo quando foi atingido por um tiro no abdômen na rua Cambuci do Vale. Ele chegou a ser socorrido no Hospital Getúlio Vargas, na Penha, mas não resistiu.

Testemunhas contaram que ouviram cerca de nove tiros disparados por dois homens em uma moto. A mãe esperava o retorno de Eduardo no portão de casa, mas não viu o momento da morte do filho. Segundo moradores, os homens que fizeram os disparos e mataram o menino são de uma facção criminosa rival à que domina o Juramento.

O menino tinha acabado de passar para o 5º ano e tinha o sonho de ser bombeiro. "Meu filho era estudioso. Não ficava na rua. Um minuto que meu filho foi comprar um sacolé, que ele me pediu, eu deixei. Meu filho não voltou e o coleguinha voltou. Isso é certo? Não é certo. Isso é errado", disse Ana Paula, muito abalada. "É uma ferida que não vai fechar mais, vai ficar aberta para o resto da vida", completou.

A mãe de Eduardo, que tem outros três filhos, de 20, 14 e 4 anos, disse que até agora nenhuma autoridade procurou a família e cobra uma investigação séria da polícia. "Só que não pode ficar por isso. Tem que ter justiça".

Colegas de turma do menino, que estudava na Escola Municipal Mato Grosso, em Irajá, foram se despedir de Eduardo. Segundo os amigos, ele estava animado para a festa de fim de ano no colégio, que será realizada nesta quarta-feira.

A Delegacia de Homicídios (DH) investiga se traficantes de uma facção criminosa rival a dos criminosos do Juramento fizeram os disparos. O morro vive uma guerra entre as organizações há alguns meses.

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