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Diante do número recorde de jovens sem emprego, especialistas dão dicas para conseguir uma vaga

Por Bernardo Costa

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Marco Antônio Brandão tem 19 anos e mora em Pilares. Durante o ano de 2017, visitou inúmeros estabelecimentos do bairro em busca de emprego. Deixou currículo em recepções de empresas, com gerentes de lojas e donos de pequenos comércios, mas não conseguiu vaga alguma. Marco Antônio é um dos 362 mil jovens fluminenses que estão desempregados, entre 18 e 24 anos. Segundo dados do IBGE, a taxa de desocupação na faixa etária, fixada em 31,9%, é a maior verificada no Estado do Rio desde 2012, quando teve início a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua.

Presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-RJ), Paulo Sardinha explica que, diante da situação desfavorável, é necessário que os jovens candidatos mantenham-se atualizados, frequentando seminários ou cursos na área em que pretendem atuar. "Isso vai evitar que eles fiquem com o currículo defasado em relação à formação profissional", explica Sardinha.

Outra iniciativa importante, destaca o especialista, é também manter atualizada a rede de relações. Segundo Sardinha, as redes sociais são importantes aliadas, especialmente a LinkedIn, considerada a maior rede de negócios do mundo. "É importante que os candidatos adicionem gestores para que, quando as oportunidades voltarem surgir, eles tomem conhecimento a tempo. Muitas oportunidades têm sido divulgadas pelo LinkedIn", diz o presidente da ABRH-RJ.

Ainda na internet, Paulo Sardinha orienta os candidatos a cadastrar currículo em agências de recrutamento e seleção de profissionais e no site de empresas. É o que tem feito o estudante Gabriel Thomaz, de 20 anos.

Ao contrário de Marco Antônio, que está no 3º ano do Ensino Médio, Gabriel procura por uma vaga de estágio em Jornalismo. No sétimo período da faculdade, ele busca uma oportunidade há seis meses. "Nesse período, passei por dois processos seletivos e mandei currículo para quatro empresas. Numa delas, cadastrei currículo no menu 'Trabalhe conosco', mas não obtive resposta", conta o estudante.

Jheniffer Barbosa, de 20 anos, está na mesma situação. Ela veio do Espírito Santo para cursar Direito no Rio. Está no quarto período. Conta com a ajuda dos pais para pagar a faculdade e o aluguel do apartamento em que mora, em Jacarepaguá. Mas as contas não estão fechando. "Procuro qualquer oportunidade. Já bati em diversos estabelecimentos comerciais, mas não consegui nada. Preciso trabalhar para ajudar a pagar meus estudos e ter independência", diz.

Para Gabriel e Jheniffer, a situação é mais favorável, pois as empresas estão abrindo mais vagas de estágio em detrimento de vagas de trabalho, apontam os especialistas.

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