O Brasil Sucupira

Por Ruy Chaves Especialista em Educação

Ruy Chaves, colunista do DIA
Ruy Chaves, colunista do DIA - Divulgação

"Povo de Sucupira, meus conterrâneos: vim de branco para ser mais claro. Se eleito, meu primeiro ato como prefeito será o de cumprir o funéreo dever de mandar fazer o construimento do cemitério municipal". Com promessas desta natureza, o Bem Amado Odorico Paraguaçu, político corrupto, mestre das safadezas, assumiu o poder "com as mãos limpas e o coração nu, despido estripitisicamente de qualquer ambição de glória". E concluiu seu discurso de posse: "Nesta hora exorbitante, neste momento extrapolante, alço os olhos para o meu destino e vendo no céu a cruz de estrelas que nos protege peço a Deus que olhe para a nossa terra e abençoe a brava gente de Sucupira".

"Deixando de lado os entretantos e indo direto aos finalmentes", imprescindível lembrar uma conversa de Odorico com seu secretário bajulador, ingênuo e ético, sempre chocado com os rolos do chefe. Como bom sofista, ao rebater crítica sobre desvio para sua conta pessoal de 10% do valor de uma obra pública superfaturada, o prefeito inverteu a prosa para fazer Dirceu Borboleta sentir-se culpado: "O dinheiro é para o partido e sem partido não há democracia. O senhor é contra a democracia, seu Dirceu?". Em dia histórico, o discurso de glória para sua vida política: "Povo de Sucupira, é uma alegria anunciar que prafentemente vocês já poderão morrer descansados, tranquilos e desconstrangidos, na certeza de que serão sepultados aqui mesmo, nesta terra morna e cheirosa".

Comédia e tragédia: a fictícia Sucupira é a cara do Brasil atual e o espírito de Odorico Paraguaçu baixou em muitos políticos, empresários e servidores públicos. Graças às nossas péssimas lideranças, somos a sociedade da mentira, o país campeão em privilégios, impunidade e corrupção, em incompetência de gestão pública, violência e desigualdade social. Sem escolas dignas, sem atenção à saúde, com a justiça que sempre tarda e insiste em não enxergar, sob recessão e desemprego, somos o Brasil ainda no século 19, o povo escravizado propriedade viva da elite do mal. Até quando? Elegeremos Odorico Paraguaçu como Presidente e Odoricos como governadores, senadores e deputados? Ou será que "prafentemente cumpriremos o funéreo dever" de sepultar para sempre a má política nas cadeias e nos cemitérios da vergonha que breve inauguraremos? Feliz 2018! Panta rei.

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