A hora do adeus

Série 'Meu novo carro usado' termina com história de quem precisa colocar o carro à venda

Por O Dia

Rio - O primeiro carro, a gente nunca esquece. Agora, imagine precisar se desfazer dele. Na quarta e última reportagem da série ‘Meu novo carro usado’, o DIA traz a história de quem está colocando o veículo à venda em tempos de crise.

O cinegrafista e produtor Ruan Abreu, 27 anos, tem um Fiesta Trail 2005/2006. E, após cinco anos de uso, coleciona histórias com o veículo. Morador do Irajá, na Zona Norte, Ruan é praticante de surf. Antes do carro, precisava ir à praia de ônibus. “Era muito incômodo para para os outros passageiros, pelo tamanho da prancha”, conta.

Uma realidade que mudou quando comprou o seu primeiro carro. Na época, há cinco anos, não havia tantos portais de venda na internet e ele acabou recorrendo a uma agência indicada por um amigo. Lá, Ruan olhou os carros e logo se encantou com o Fiesta. A versão Trail, de apelo esportivo, tinha acessórios decorativos, como o rack de teto. Quando olhou, Ruan já conseguiu projetar como seriam os próximos anos. “Aqui, colocarei minha prancha”, pensou.

Ruan Abreu%2C cinegrafista%2C coloca seu carro à venda depois de cinco anos de usoLuiz Ackermann / Agência O Dia

CARRO MUDA REALIDADE
Por oito meses, Ruan economizou para comprar o carro. Mas só conseguiu abandonar as viagens de ônibus com a prancha embaixo do braço com a ajuda dos pais, que complementaram o valor que faltava para comprar o veículo, sob a condição de que ele seguisse trabalhando para bancar as despesas do carro. Pagou R$ 22 mil à vista, com desconto, porque o dono da agência era um amigo da família.

Com o carro, a realidade de Ruan se transformou: “Passei a usar o carro para me locomover e ir à praia com minha prancha. Minha família tem uma casa na Região dos Lagos. Para ir lá, eu dependia do meu pai ou do ônibus, o que era meio chato. Com meu Fiesta, eu pude frequentar mais lá, levar os amigos, curtir mais”, lembra.
Em duas palavras, ele define a compra do seu primeiro e único carro como “crescimento e independência”. Em cinco anos, pôde viver mais e melhor com o suporte do veículo. Até a crise que desabou sobre o país neste ano. Desempregado, o jovem agora anuncia seu veículo, com alguma contrariedade. “Terei que vender em razão da minha situação financeira, não tem outro jeito”, desabafa.

Questionado sobre a hipótese de comprar um novo carro no futuro, entre outro usado ou um zero, Ruan viveria a outra experiência: “Compraria um zero se tivesse a condição. Comprei esse usado porque era o que pude na época. Mas quem não quer um carro zero? Todos gostariam de ter um”, disse.

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