Por tabata.uchoa

Pirenópolis - Pirenópolis, a cidade no coração de Goiás encravada no cerrado — exuberante até na estiagem — e berço de águas límpidas tornou-se a menina dos olhos do turismo do estado, aos quase 300 anos cosmopolita sem perder o ar barroco.

Festa com batalha entre mouros e cristãos com cavalos e cavaleiros paramentados%2C na entrada de PiriDivulgação


O charme da centenária não se resume ao amplo e preservado centro histórico com o casario colonial, onde residências de nativos, e o comércio voltado para os moradores e turistas se misturam em harmonia. As multicores das fachadas de seus sobrados, o céu de azul límpido, o verde das palmeiras e a hospitalidade dos pirenopolinos fazem do município um lugar ímpar.

Há programas para todos os gostos, dos passeios às mais de 90 cachoeiras. Da gastronomia variada às lojas de artesanatos, e programas culturais semanais. Sim, a despeito da simplicidade em cada detalhe e o seu jeito interiorano, Piri — como é chamada por quem se apaixona — é para todos: palco de mais de 15 festivais nacionais e internacionais todo ano, onde ‘tribos’ de várias partes do mundo confraternizam.

Inevitável a comparação com outras ricas cidades culturais seculares do País, como Ouro Preto (MG) ou Paraty (RJ). No entanto Pirenópolis consegue ser linda mesmo castigada por meses de seca sob um sol de 40º. E de suas nascentes escoam águas que formam belas cachoeiras e lagos para banho; e também o Rio das Almas, que corta a cidade, no qual turistas e moradores se deleitam diariamente.

Não falta turismo de aventura%3A a 10 Km da cidade o Santuário Vagafogo tem circuito de arvorismo%2C tirolesa e trilhas com mata preservadaDivulgação


Com a sobrevivência do rio há uma preocupação dos moradores. Piri é um case nacional de sustentabilidade ecológica. Na cidade, que ganhou o seu aterro sanitário, está em construção um grande galpão para coleta seletiva de lixo. E a gestão municipal bloqueou esgotos clandestinos que eram despejados no leito do rio. O conceito de fossa ecológica — na qual o esgoto é absorvido pela terra — nunca foi tão divulgado e implantado. O resultado é a surpresa de ver de crianças a idosos se banhando debaixo da chamada ‘meia ponte’ , que liga as duas pontas do centro histórico. Um dado surpreendente e exemplo para as outras milhares de cidades do país que não se dedicam à sustentabilidade.

De acordo com dados do Ministério do Turismo, apenas ano passado a cidade foi visitada por mais de seis mil turistas estrangeiros — os brasileiros são dezenas de milhares. E estes são os que registram sua presença nas cerca de 80 pousadas; o número pode ser muito maior.

Estas pousadas não deixam a desejar ao exigente público. Existem as mais simples, que oferecem quartos – são pequenas casas de moradores que se transformaram em pouso – até as mais luxuosas, dentro e fora do centro urbano.
São estabelecimentos preparados para receberem os turistas do circuito local e os oriundos de Abadiânia, a 50 km de Piri, muito visitada por quem procura o médium João de Deus, na Casa Don Ignácio no município vizinho.

Ponte suspensa dá um charme aos passeios pelo verde de PiriDivulgação


Festa boa este mês

Mesmo com a tranquilidade brejeira do interior, Piri não para. Há centenas ou milhares de turistas todos os fins de semana, dependendo da programação cultural e dos feriadões. Principal estância turística da rota Brasília-Anápolis-Goiânia, recebe pessoas praticamente todos os dias. Na Copa de 2014, centenas de sul-americanos descobriram a cidade. Gente que chegou de ônibus, táxi, e motor-home. E foi ficando, até por um mês inteiro. A facilidade de acesso contribui muito. Pirenópolis fica a 120 km de Goiânia e a 150 km de Brasília.

Nos dias 15 a 18 de setembro, quando recebeu um grupo de jornalistas de 13 veículos de 10 capitais, Piri foi sede da nova edição do Slow Film – o festival internacional de cinema e gastronomia. O sotaque hispânico e inglês que tomou as principais ruas do centro sintonizou-se ao ‘goianês’: quando o encanto do lugar ajuda, todos falam a ‘mesma língua’.

Há duas festas tradicionais. A do Divino, em maio, é voltada para os nativos. São as homenagens aos seculares hábitos cristãos da cidade — o canto das Pastorinhas, o sapateado da Catira, a roda de viola, e a representação da milenar batalha entre mouros e cristãos sobre cavalos belíssimos. Animais e cavaleiros são paramentados com cores exuberantes, em local apropriado na entrada do município. Aparecem ‘mascarados’, os populares que, com seus pangarés ou cavalos de raça, juntam-se aos trotadores oficiais da festa nas ruas e se misturam aos carros. Outra festa é o ‘Canto da Primavera’, que leva cantores do circuito nacional e internacional para Piri. A deste ano será agora em outubro. A programação será divulgada no www.pirenopolis.com.br

Cachoeiras lindas são destaqueDivulgação

Cidade não tem fiação exposta e há point com lojinhas e cafeterias

A cidadela tem na alma de seu folclore as tradições cristãs: ergueu a primeira igreja católica do Centro-Oeste, a Matriz Nossa Senhora do Rosário, no período em que os bandeirantes por ali passavam atrás de ouro. Foi reformada nos anos 2000 após um incêndio causado por curto-circuito. Outro ponto de visitação é a Igreja do Bonfim, modesta e belíssima. No centro histórico há dezenas de vilas e becos da época colonial. No centro histórico tombado pelo Iphan, não há fiação exposta. A rede é subterrânea, e à mostra apenas os postes que lembram as antigas lamparinas.

O ponto alto da visitação é a combinação de cachoeiras & centro histórico. De dia, há lazer para gostos variados. Concentra-se especialmente no ‘triângulo’ de ruas – a do Rosário (chamada ‘rua do Lazer’), a Rui Barbosa – titulada informalmente a ‘rua das Lojinhas’, e a Rua Aurora, para quem desce da rota das cachoeiras. Há dois anos, surgiram cafeterias, além de uma dúzia de pequenos comércios, que vão de hamburgueria a sebo (em Kombi) até a conhecidas marcas nacionais de sorveteria e chocolates.

Cachoeiras, aventuras e ecologia

As cachoeiras do Abade e Santa Maria são destaques. As de Bonsucesso (são sete quedas e lagos incríveis), a Lázaro, Usina Velha e Meia Lua, lindas. Quem quiser um turismo de aventura, encontra a 10 km da cidade o Santuário Vagafogo, com circuito de arvorismo, tirolesa e trilhas com mata preservada. É um dos maiores cases de turismo ecológico do País, criado em parceria com ONGs internacionais. A direção da Vagafogo oferece um bom brunch com 70% dos produtos produzidos na fazenda.

A rota das cachoeiras é bem sinalizada. E há no centro histórico agências especializadas que oferecem passeios individuais ou em grupo em veículos próprios, além de guias autônomos.

O repórter viajou a convite do Enecob – Encontro Nacional de Editores, Colunistas, Repórteres e Blogueiros, com apoio da Souza Cruz, Ministério do Turismo, Prefeitura de Pirenópolis, Governo de Goiás. Agradecimento à Pousada Pouso do Sô Vigário.

Reportagem de Primo Stotani

Você pode gostar